quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Dia de Eleições

Domingo, dia 16, foi dia de eleições legislativas na Guiné-Bissau.

O processo desenrolou-se sem sobressaltos de maior. A comunidade internacional e as Missões de Observação Eleitoral foram unânimes em afirmar que tudo se passou dentro da normalidade. Os pequenos problemas apontados são desvalorizados e considerados insignificantes em termos de alteração de resultados. Algumas assembleias de voto por falta de material estiveram impedidas de trabalhar mas tudo parece resolvido e foi já encontrada solução. Os últimos eleitores votaram na 2ª feira. Os salários dos funcionários que acompanharam o processo também foram regularizados. Mais do que problemas ao nível logístico as eleições na Guiné-Bissau, bem como em diversos países africanos, sofrem de outros males bem maiores. A população raramente está bem informada, desconhecem o que está em causa e muitos não sabem utilizar uma caneta. São estes, no fim, aqueles que são mais prejudicados. De salientar, no entanto, a elevada taxa de participação. "Entre 70% e 80% dos quase 600 mil eleitores fizeram uso do seu direito de voto, na esperança de que o país ultrapasse, na estabilidade, as dificuldades, entre as quais o narcotráfico e o desemprego." Nada comparável a outras democracias bem mais nossas conhecidas.







Como seria de esperar e ainda antes de serem publicados os primeiros resultados oficiais provisórios já surgiram as primeiras reclamações. O antigo presidente da Guiné-Bissau e líder do Partido da Renovação Social (PRS), Mohamed (Kumba) Yalá, em conferência de imprensa disse não aceitar os resultados das eleições. O antigo Presidente, apesar da Comissão Nacional de Eleições ainda não ter publicado qualquer resultado ou previsão, denunciou já uma campanha para manipular os resultados das legislativas de domingo, sublinhando que não iria aceitar números "forjados".




Os comentários recebidos em relação às fotografias anteriores têm a seguinte resposta: não ando sempre com máquina fotográfica e nem sempre tenho possibilidade ou disponibilidade de seguir todos os comícios ou actividades partidárias. Não é o meu trabalho. Só para que fique esclarecido eu não sou, obviamente, apoiante de nenhum partido.

http://dn.sapo.pt/2008/11/17/internacional/esperanca_e_forte_afluencia_urnas_gu.html

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Fim de campanha

As queixas apresentadas, local e internacionalmente, foram registadas. Obrigado. A falta de assiduidade tem justificação mas tentarei recuperar o tempo perdido. Entre reuniões, relatórios e visitas de Bruxelas, nem sempre há tempo para tudo. Por outro lado, e para quem não sabe, está cá o JM a tomar conta das eleições. As actividades extra-curriculares têm sido várias o que tem impossibilitado a dedicação à escrita.

A campanha eleitoral para as legislativas de Domingo passado animou bastante as últimas três semanas em Bissau. Os principais partidos envolveram-se em diversas campanhas. A proximidade das acções muitas vezes distava apenas escassos metros mas a convivência foi sempre pacífica. Todos se conhecem.



A campanha foi marcada pela agressividade verbal, com os habituais ataques pessoais e troca de acusações, nomeadamente acusações de má gestão pública e responsabilidade no desenvolvimento de redes de narcotráfico no país. O pagamento regular dos salários na função pública foi outras das promessas apresentadas pelos diversos candidatos.

Os partidos com maiores meios financeiros procuram controlar o eleitorado através de generosas ofertas. Na prática tudo serve para aliciar o voto: sacos de arroz e açúcar, geradores, bicicletas e motorizadas, material hospitalar, etc. O último dia de campanha foi especialmente agitado em Bissau, com grandes comícios do PAIGC e PRS. Houve muita cor, música, promessas e convívio. Na corrida estavam dezanove partidos e duas coligações.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cidade perdida

As estradas da Guiné-Bissau não são famosas pelas melhores razões. A estrada que liga São Domingos a Varela é talvez das piores. São 50 quilómetros de estrada de estrada de terra, lama, muitos buracos e com algumas pontes de madeira. A paisagem é incrível. Conseguimos ficar atolados. A época das chuvas parece que chegou ao fim mas na altura ainda não tinha terminado… A possibilidade das imagens serem vistas por todos aqui fazem com que tenha de ter alguma reserva. Ficam algumas recordações que levam a imaginar as horas passadas ao sol. Foram muitos também os quilómetros que tivemos de andar para conseguir chegar à aldeia mais próxima e pedir ajuda. Com vinte locais e uma carrinha não foi complicado resolver a questão.



O nosso destino fica na costa da Guiné-Bissau, colado à fronteira com o Senegal, ligeiramente a norte do Rio Cacheu. Ficámos instalados num acampamento simples mas com muita hospitalidade italiana e basílico em abundância. Desta vez não houve peixe grelhado acabado de pescar mas tivemos direito a muita massa caseira acabada de fazer. Descanso e uma boa praia para recuperar das caminhadas do dia anterior.


Já me disseram que às vezes pinto a Guiné-Bissau de muitas cores e que só vejo um lado. Varela dizem que é agora uma sombra de si mesmo. No fundo tirando a praia e a paisagem, tudo parece pobre e abandonado. Em tempos esta região concorria com as praias das ilhas, hoje pelo que vi conseguimos descobrir uma aldeia perdida no tempo. Encontram-se casas destruídas devido à força do vento e das chuvas torrenciais que isolam as tabancas. O mar também nem sempre ajuda. Vêem-se muitas casas abandonadas ou que nunca chegaram a ser acabadas de construir. O comércio é quase nulo e exceptuando o acampamento onde ficámos, não há mais hotéis na zona. Pelo menos hotéis a funcionar pois as ruínas estão lá. Para juntar a tudo isto não é fácil esquecer que a região foi bastante ferida pelos conflitos militares e é ainda regularmente atingida pelos confrontos de Casamansa. Há também campos de minas delimitados nas proximidades. As comunicações são praticamente inexistentes. Não há electricidade ou serviços de saúde.





Nós regressamos ao trabalho e à campanha eleitoral em Bissau.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Festa

Hoje faz anos o ANC. Muitos parabéns! Vou tentar falar logo. O Maradona também faz anos dia 30 mas não lhe vou telefonar.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Campanha eleitoral

A época da chuva aproxima-se a passos largos do seu fim na Guiné-Bissau. Os grilos já deram sinal de vida e começam a estar por todo o lado (ontem contei uns 30 só nos corredores e escadas) e no Ponto de Encontro já há gelados novos. Enquanto isso começou no passado Sábado a campanha eleitoral para as legislativas de dia 16 de Novembro e o nível da discussão e das preocupações é elevadíssimo como podem constatar. Dizia a Lusa esta semana:

“O nome do jogador português Cristiano Ronaldo está envolvido na campanha eleitoral para as legislativas na Guiné-Bissau, com alguns partidos a recorrem ao craque luso para "driblar" aqueles que dizem ser o Zidane da política. "Um candidato do PAIGC diz que é o Zidane da política guineense, nós não temos e nem queremos ter o Zidane, que é velho e já retirado dos relvados, nós temos o Cristiano Ronaldo que é o melhor do mundo", afirmou Batista Té, candidato a deputado pelo Partido Republicano da Independência para o Desenvolvimento (PRID) às legislativas de 16 de Novembro. Batista Té respondia desta forma às farpas de Baciro Dabó, dirigente e candidato a deputado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que diz ser o Zidane da política guineense ao ponto de se chamar agora Zidane Dabó. "A partir de agora o meu nome completo é Baciro Zidane Dabo. Ou simplesmente Zidane Dabó", afirmou o dirigente do PAIGC, num comício da pré-campanha em São Domingos. "O Baciro diz que ele é o Zidane, eu sou o Ronaldo. O Zidane é velho e o Ronaldo é novo e melhor do que o Zidane que já arrumou as botas. Mas, ainda vamos ver quem é o melhor durante a campanha, se é o Zidane ou se é o Cristiano Ronaldo", afirmou, Ibraima Sori Djaló do Partido da Renovação Social (PRS) num comício popular em Farim.

A utilização dos nomes de craques da bola nas acções de campanha é tanta que nalguns casos alguns dirigentes e candidatos a deputado já não são tratados pelos respectivos nomes de baptismo.

"Agora vai falar o Zidane Dabó", é desta forma que são anunciadas as entradas em cena do antigo ministro da Administração Interna guineense, nos comícios do PAIGC pelo interior do país. "Olha o Cristiano Ronaldo do PRID", alusão a Batista Té, actual secretário de Estado da Energia.”

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/9d214ae7d5073208ebd924.html

A procissão vai no adro mas promete.

sábado, 25 de outubro de 2008

Outro lado a Norte

Este fim de semana espero conseguir chegar até São Domingos e depois Susana e Varela. Não se admirem portanto aqueles que esperavam emails. Para a semana mais texto e imagens mas como entretanto recebi algumas queixas envio ainda duas fotografias atestando a minha presença no Arquipélago. Obrigado pelos comentários.


Como há dificuldade em esquecer as datas. Muitos Parabéns I(P)! Não vou conseguir ir à festa… Para quando férias em Bissau?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Arquipélago

Estou de regresso a Bissau depois de nove dias nas ilhas. Já devia ter escrito antes mas a ausência prolongada tem alguma justificação. Como podem imaginar nem sempre é fácil arranjar tempo para tudo e torna-se ainda mais complicado escrever no meio da agitação do mercado financeiro da Guiné-Bissau e de toda a actividade bolsista na capital… De qualquer modo é sempre bom saber que alguns leitores (dois ou três…) assíduos aguardam por novo texto ou fotografias.

Voltando às ilhas. Quando se pensa na Guiné-Bissau a primeira ideia que nos vem à cabeça não é certamente a de ser um país para férias. Acontece que este país surpreende muita gente. Eu felizmente já sabia que havia muito mais para além do país pobre que todos imaginam. É verdade que ser o 3º país mais pobre do mundo segundo o Índice de Desenvolvimento das Nações Unidas não é o melhor cartão de visita e o turismo não ganha muito com isso. Acontece, porém, que quem tem tempo e vontade para ver Bissau e o resto do país com outros olhos, tem a oportunidade de conhecer e descobrir muito mais.

A semana nas ilhas foi muito boa. Férias a sério. Facilita viver aqui para organizar o programa. Com um arquipélago fantástico tão perto não fazia muito sentido estar a procurar mais longe. Decidimos ir uma semana para as ilhas. Junta-se os fim de semana e temos 9 dias para explorar os Bijagós. Tudo isto sem grandes preocupações de tempo ou percursos pré-programados. Assim sabe melhor. Viver uns dias mais em natureza e com paisagens e lugares extraordinários. Fomos a João Vieira, Cavalo, Poilão, Orango, Quéré e Caravela.


Houve muito descanso activo. Não foram dias de ficar estendido na toalha a queimar. Houve pesca quase todos os dias, dar a volta às próprias ilhas sempre com areia nos pés, conhecer o interior e as florestas tipo selva, passeios de bicicleta, ler bastante, comer bem, e muito mais. Deu para organizar jogos de futebol com as crianças Bijagós ou ensinar a jogar raquetes de praia.


As paisagens são como seria de esperar paradisíacas e para quem pensa na Guiné-Bissau apenas pelo que vê na televisão ou lê nos jornais, deve ser difícil imaginar que existam ilhas assim por aqui. Há praias de filme com extensões gigantes de areia a perder de vista. Foram dias sem contacto com o exterior, não há televisão, não há rede telemóvel e não há internet.

Todos os dias temos peixe fresco na mesa e quase sempre carpaccio de entrada. Comemos de tudo um pouco, barracuda, bica, corvina e mais. Pescámos também vários tubarões pequenos e um de mais de 40Kg. Ao contrário das últimas vezes desta vez consegui ter um pouco mais de sucesso. Deu para comer o que pesquei. Tivemos também churrascos na praia e a parte de comer com as mãos…


Há que estar preparado para as condições dos acampamentos pois não há hotéis de luxo mas não se dorme no chão e há duche. Em geral todas as pessoas que encontramos são simpáticas e somos muito bem recebidos. Não se faz comparações com outros mundos ou se pensa muito na falta de condições. As vantagens são muito maiores. Estive 9 dias sem saber de sapatos e andei sempre descalço ou de chinelos. Claro que cheguei a Bissau e andei alguns dias com os pés pretos e alguns cortes.




Estivemos com as tartarugas verdes em Poilão. Uma pequena ilha deserta onde as tartarugas verdes fazem a sua reprodução. Um dos motivos pelo qual o arquipélago é considerado reserva da biosfera da UNESCO. Não é todos os dias que podemos ver o nascimento de tartarugas no seu habitat. Partem as cascas dos ovos e começam a sair às centenas de buracos na areia. Estilo National Geographic mas ao vivo. Nascem e vão directas para o mar mas passam por cima dos nossos pés e podemos pegar nelas. Algumas precisam de ajudam pois ficam meio desnorteadas ou ficam presas nas rochas. É uma experiência diferente. Fomos duas vezes a Poilão. Na segunda ficámos a dormir com os guardas. Vi também hipopótamos em Orango mas ao contrário do que fiz com as tartarugas, optei por não me sentar em cima deles. Há também lagartos grandes, macacos e por todo o lado muitas aves, pelicanos, flamingos e outros que não sei o nome.




Foi um verdadeiro privilégio. A boa companhia também ajudou e deixo algumas fotografias pois não dá para descrever tudo.

http://www.orangohotel.com/

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Caminho para o Mar

Vou estar fora uns dias. Há ainda muitas ilhas por explorar. Os Bijagós são grandes. Durante a próxima semana estarei menos contactável quando não mesmo incontactável. Começo por João Vieira e muito peixe, depois Poilão e tartarugas, a seguir Orango e hipopótamos, e ainda Quéré e Caravela, com macacos e praias fantásticas.

http://www.orangohotel.com/

Deixo ainda um outro link para o filme completo da exposição “Terras do Mar” enviado pelo próprio pintor. A exposição está a ser um êxito e o filme "O caminho para o mar" também. Novos valores despertam para o cinema!

http://www.youtube.com/watch?v=kbeBJTb-Nhs

Regresso com fotografias e muito mais.