Designação de um golpista para Chefe do Estado-Maior gera críticas.
“Nós queremos ajudar, mas para que o Brasil possa ajudar é preciso que os guineenses resolvam os seus problemas internos", disse o Presidente Lula da Silva na ilha do Sal, Cabo Verde, depois de uma Cimeira com os membros da CEDEAO.
"Saibam os dirigentes guineenses que quanto mais divergências tiverem, quanto mais brigas internas tiverem, mais dificuldades terão em receber apoio, sobretudo dos países mais desenvolvidos", prosseguiu Lula da Silva, na linha do que têm vindo a dizer os Estados Unidos e a União Europeia.
Aqueles dirigentes precisam “adquirir maturidade”, sublinhou o Presidente brasileiro, que se recusou ir a Bissau, depois do chefe do levantamento militar de 1 de Abril, General António Indjai, ter sido nomeado recentemente Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
A CEDEAO, de que fazem parte, entre outros, Cabo Verde, o Senegal e a Nigéria, pediu ao Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, que reconsidere a sua decisão de nomear Indjai, uma vez que isso parece uma caução “aos actos de impunidade e indisciplina no seio da hierarquia” militar.
Perante as críticas que lhe foram formuladas no Sal pelos seus pares, o Presidente da Guiné-Bissau limitou-se a comentar que “uma coisa é querer, outra coisa é poder”. Ou seja, que as estruturas políticas daquele país não têm poder suficiente para se opor às decisões tomadas pelas estruturas militares (...)"
http://www.publico.pt/Mundo/lula-promete-ajudar-guinebissau-quando-o-pais-resolver-os-seus-problemas_1445249
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Traços no tempo
domingo, 4 de julho de 2010
Indignação solidária
"A CEDEAO manifestou-se sábado (3 de Julho) "indignada" com a nomeação de António Indjai, "único responsável pela sublevação de Abril", para a chefia das Forças Armadas da Guiné-Bissau e exortou o chefe de Estado guineense a reconsiderar a escolha.
A tomada de posição está expressa no comunicado final da 38.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que decorreu na ilha cabo-verdiana do Sal, na presença de 13 delegações dos 15 Estados membros.
"A Conferência ficou muito indignada com a nomeação do General de Divisão António Indjai, ultimamente Vice-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e único responsável pelos acontecimentos de 01 de Abril, na qualidade de CEMGFA da Guiné-Bissau", lê-se no documento.
"A Cimeira considera essa nomeação como caução dos actos de impunidade, nomeadamente de indisciplina, caracterizados no seio da hierarquia das Forças Armadas. Não é de natureza a criar condições favoráveis para mobilizar a comunidade internacional com vista à implementação do indispensável programa de reforma do sector da Segurança", acrescenta-se no documento.
Nesse sentido, a CEDEAO, "reafirmando a solidariedade" para com Malam Bacai Sanhá, presidente guineense, "convidou-o a considerar a nomeação" de um CEMGFA "não implicado" na sublevação, que levou à detenção de Zamora Induta, até então líder das Forças Armadas, que continua preso sem julgamento.
Os chefes de Estado e de Governo oeste-africanos exortaram também Bacai Sanhá a criar as condições que permitam à CEDEAO retomar os esforços de mobilização de todos os parceiros bilaterais e multilaterais destinados a acompanhar a Guiné-Bissau no arranque "efectivo" daquela reforma."
A CEDEAO solicitou à respetiva Comissão para que, em concertação com os órgãos técnicos competentes, proceder à implementação de um mecanismo de segurança das instituições republicanas.
Por outro lado, "insistiram" na necessidade de alargar o dispositivo de segurança dos testemunhos identificados pela Comissão Nacional de Inquérito sobre os assassinatos de Março de 2009 - do Presidente João Bernardo Vieira e do CEMGFA Tagmé Na Waié - "permitindo a finalização das suas actividades".
Questionados pela agência Lusa sobre a tomada de posição da CEDEAO, quer Bacai Sanhá quer o chefe da diplomacia guineense, Adelino Mano Queta, recusaram fazer quaisquer comentários.
http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/2010/6/26/Organizacao-diz-indignada-com-nomeacao-CEMGFA-Guine-Bissau,40863cf2-1d09-40d3-acf7-292db869e0fc.html
A tomada de posição está expressa no comunicado final da 38.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que decorreu na ilha cabo-verdiana do Sal, na presença de 13 delegações dos 15 Estados membros.
"A Conferência ficou muito indignada com a nomeação do General de Divisão António Indjai, ultimamente Vice-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e único responsável pelos acontecimentos de 01 de Abril, na qualidade de CEMGFA da Guiné-Bissau", lê-se no documento.
"A Cimeira considera essa nomeação como caução dos actos de impunidade, nomeadamente de indisciplina, caracterizados no seio da hierarquia das Forças Armadas. Não é de natureza a criar condições favoráveis para mobilizar a comunidade internacional com vista à implementação do indispensável programa de reforma do sector da Segurança", acrescenta-se no documento.
Nesse sentido, a CEDEAO, "reafirmando a solidariedade" para com Malam Bacai Sanhá, presidente guineense, "convidou-o a considerar a nomeação" de um CEMGFA "não implicado" na sublevação, que levou à detenção de Zamora Induta, até então líder das Forças Armadas, que continua preso sem julgamento.
Os chefes de Estado e de Governo oeste-africanos exortaram também Bacai Sanhá a criar as condições que permitam à CEDEAO retomar os esforços de mobilização de todos os parceiros bilaterais e multilaterais destinados a acompanhar a Guiné-Bissau no arranque "efectivo" daquela reforma."
A CEDEAO solicitou à respetiva Comissão para que, em concertação com os órgãos técnicos competentes, proceder à implementação de um mecanismo de segurança das instituições republicanas.
Por outro lado, "insistiram" na necessidade de alargar o dispositivo de segurança dos testemunhos identificados pela Comissão Nacional de Inquérito sobre os assassinatos de Março de 2009 - do Presidente João Bernardo Vieira e do CEMGFA Tagmé Na Waié - "permitindo a finalização das suas actividades".
Questionados pela agência Lusa sobre a tomada de posição da CEDEAO, quer Bacai Sanhá quer o chefe da diplomacia guineense, Adelino Mano Queta, recusaram fazer quaisquer comentários.
http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/2010/6/26/Organizacao-diz-indignada-com-nomeacao-CEMGFA-Guine-Bissau,40863cf2-1d09-40d3-acf7-292db869e0fc.html
Acto de pódio
A Cooperação Portuguesa entregou na 6ª feira, dia 2 de Julho, ao Secretariado Nacional de Luta à Sida na Guiné-Bissau um milhão de preservativos para ajudar a prevenir a doença. A Sida atinge pelo menos 7% da população do país.
"É com prazer especial que a cooperação portuguesa entrega aqui mais um milhão de preservativos. Já é o terceiro donativo deste género que se entrega nos últimos anos, e que corresponde a uma preocupação das autoridades guineenses relativamente ao combate do VIH", afirmou o Adido da Cooperação de Portugal, Guilherme Zeverino."
O secretário executivo do Secretariado Nacional de Luta à Sida, João José Monteiro, considerou que o donativo é mais um "acto de pódio" da cooperação portuguesa na Guiné-Bissau.
http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/2010/6/26/Portugal-milhao-preservativos-para-ajudar-combate-SIDA,aef63f1d-c2dd-41af-9ac5-ac29d52eb377.html
"É com prazer especial que a cooperação portuguesa entrega aqui mais um milhão de preservativos. Já é o terceiro donativo deste género que se entrega nos últimos anos, e que corresponde a uma preocupação das autoridades guineenses relativamente ao combate do VIH", afirmou o Adido da Cooperação de Portugal, Guilherme Zeverino."
O secretário executivo do Secretariado Nacional de Luta à Sida, João José Monteiro, considerou que o donativo é mais um "acto de pódio" da cooperação portuguesa na Guiné-Bissau.
http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/2010/6/26/Portugal-milhao-preservativos-para-ajudar-combate-SIDA,aef63f1d-c2dd-41af-9ac5-ac29d52eb377.html
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Soberania irresponsável
"A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) não aceita e não aprova a nomeação de António Indjai como chefe do Estado Maior General das Forças Armadas na Guiné-Bissau, declarou o presidente da organização.
De qualquer forma, o presidente [da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá] vem à Cimeira [da CEDEAO] na sexta feira [hoje, na ilha cabo-verdiana do Sal] e vamos falar sobre isso, disse na quinta feira à agência Lusa James Victor Gbeha, salientando a irresponsabilidade da decisão. O processo estava a correr bem, mas, infelizmente, Sanhá nomeou o irresponsável Indjai, o mesmo que criou aquela situação de Abril [no dia 01]. É algo que não aceitamos nem aprovamos, frisou".
http://dn.sapo.pt/Inicio/interior.aspx?content_id=1608640
De qualquer forma, o presidente [da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá] vem à Cimeira [da CEDEAO] na sexta feira [hoje, na ilha cabo-verdiana do Sal] e vamos falar sobre isso, disse na quinta feira à agência Lusa James Victor Gbeha, salientando a irresponsabilidade da decisão. O processo estava a correr bem, mas, infelizmente, Sanhá nomeou o irresponsável Indjai, o mesmo que criou aquela situação de Abril [no dia 01]. É algo que não aceitamos nem aprovamos, frisou".
http://dn.sapo.pt/Inicio/interior.aspx?content_id=1608640
Fidalgos em álbum
"Os Fidalgos darão a conhecer o seu álbum “Ai Bissau!” no Centro Cultural Português no dia 5 de Julho - 2ªfeira, pelas 18h00. Será o lançamento do primeiro àlbum de músicas do grupo de teatro mais conhecido da Guiné-Bissau.
A entrada é gratuita e será uma excelente oportunidade para nos deliciarmos e nos deixarmos surpreender com o talento dos Fidalgos.
O CD "Ai Bissau" estará igualmente disponível para venda (5.000 xof), para todos os que apreciem o estilo ou queiram presentear amigos e familiares!"
A entrada é gratuita e será uma excelente oportunidade para nos deliciarmos e nos deixarmos surpreender com o talento dos Fidalgos.
O CD "Ai Bissau" estará igualmente disponível para venda (5.000 xof), para todos os que apreciem o estilo ou queiram presentear amigos e familiares!"
Fenómeno escorregadio
Na 6ª feira, dia 25 de Junho, o Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, nomeou por decreto sob proposta do Governo do Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, o Major-general António Indjai como chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.
No mesmo decreto, é exonerado do posto de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas o Almirante Zamora Induta, que foi deposto e está detido desde o dia 1 de Abril passado na sequência dum golpe militar liderado pelo próprio General Indjai. Durante esta intervenção militar, o Primeiro-ministro também foi detido sendo libertado horas mais tarde.
Esta nomeação mereceu críticas da Comunidade Internacional em geral e dos Estados Unidos da América e da União Europeia em particular.
E agora?
http://www.panapress.com/freenewspor.asp?code=por012380&dte=29/06/2010
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1603951&seccao=CPLP
No mesmo decreto, é exonerado do posto de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas o Almirante Zamora Induta, que foi deposto e está detido desde o dia 1 de Abril passado na sequência dum golpe militar liderado pelo próprio General Indjai. Durante esta intervenção militar, o Primeiro-ministro também foi detido sendo libertado horas mais tarde.
Esta nomeação mereceu críticas da Comunidade Internacional em geral e dos Estados Unidos da América e da União Europeia em particular.
E agora?
http://www.panapress.com/freenewspor.asp?code=por012380&dte=29/06/2010
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1603951&seccao=CPLP
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Povo adormecido
No quadro da programação musical de Julho 2010, o Centro Cultural Português em Bissau apresenta Zé Manel em Concerto Acústico, no dia 02, sexta-feira, às 20h30, na sala principal.
Um espectáculo intimista com um dos nomes incontornáveis da música contemporânea da Guiné-Bissau e membro do conceituado grupo Super Mama Djombo. Zé Manel, cantor multifacetado e autor de grandes êxitos apresenta-se num concerto único que contará com a participação especial do dramaturgo Carlos Vaz, numa interpretação de poemas musicados, que inclui uma pequena homenagem ao Nobel da literatura José Saramago.
Entrada: 3.000 XOF
www.zemanel.com
http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/2010/5/26/Musico-Manel-concerto-acustico-homenageia-Jose,5191df50-a754-495b-9965-e1dd58479ae4.html
Um espectáculo intimista com um dos nomes incontornáveis da música contemporânea da Guiné-Bissau e membro do conceituado grupo Super Mama Djombo. Zé Manel, cantor multifacetado e autor de grandes êxitos apresenta-se num concerto único que contará com a participação especial do dramaturgo Carlos Vaz, numa interpretação de poemas musicados, que inclui uma pequena homenagem ao Nobel da literatura José Saramago.
Entrada: 3.000 XOF
www.zemanel.com
http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/2010/5/26/Musico-Manel-concerto-acustico-homenageia-Jose,5191df50-a754-495b-9965-e1dd58479ae4.html
Produção artesanal
terça-feira, 29 de junho de 2010
Fotografia a duas mãos
Convite
Exposição de fotografia
30 de Junho, 19h
Restaurante Coimbra
"Porque a Guiné não são só militares com cara de mau e cabeça de pau, porque tem gente forte e bonita como árvores, porque crescem árvores gigantes e poderosas como gente, porque o som dos tambores soa mais alto que o dos rumores, porque os irãs se divertem e as pessoas se esquecem, porque aqui há uma vontade que não morre e um país que não se explica, porque um sítio são sobretudo as pessoas que lá vivem, porque a minha Guiné é a nossa Guiné."

Exposição de fotografia
30 de Junho, 19h
Restaurante Coimbra
"Porque a Guiné não são só militares com cara de mau e cabeça de pau, porque tem gente forte e bonita como árvores, porque crescem árvores gigantes e poderosas como gente, porque o som dos tambores soa mais alto que o dos rumores, porque os irãs se divertem e as pessoas se esquecem, porque aqui há uma vontade que não morre e um país que não se explica, porque um sítio são sobretudo as pessoas que lá vivem, porque a minha Guiné é a nossa Guiné."

segunda-feira, 7 de junho de 2010
Rede de diamantes africanos
A pedido da VM deixo o link para um portal online de Cultura Africana Contemporânea:
http://www.buala.org/pt
Buala é o "primeiro portal multidisciplinar de reflexão, crítica e documentação das culturas africanas contemporâneas em língua portuguesa, com produção de textos e traduções em francês e inglês.
Buala significa casa, aldeia, a comunidade onde se dá o encontro. A geografia do projecto responde ao desenho da proveniência das contribuições, certamente mais nómada que estanque. A língua portuguesa, celebrada na diversidade de Portugal, Brasil e Áfricas, dialoga com o mundo.
Buala.org pretende inscrever a complexidade do vasto campo cultural africano em acelerada mutação económica, política, social e cultural. Entendemos a cultura enquanto sistemas, comunidades, acontecimento, sensibilidades e fricções. Políticas e práticas culturais, e o que fica entre ambas. Problematizar questões ideológicas e históricas, entrelaçando tempos e legados. No fundo desejamos criar novos olhares, despretensiosos e descolonizados, a partir de vários pontos de enunciação da África contemporânea.
Buala.org concentra e disponibiliza materiais, imagens, projectos, intenções, afectos e memórias. É uma plataforma construída para as pessoas. Uma rede de trabalho para profissionais da cultura e do pensamento. Artistas, agentes culturais, investigadores, jornalistas, curiosos, viajantes e autores, todos se podem encontrar e habitar este Buala."
http://www.buala.org/pt
Buala é o "primeiro portal multidisciplinar de reflexão, crítica e documentação das culturas africanas contemporâneas em língua portuguesa, com produção de textos e traduções em francês e inglês.
Buala significa casa, aldeia, a comunidade onde se dá o encontro. A geografia do projecto responde ao desenho da proveniência das contribuições, certamente mais nómada que estanque. A língua portuguesa, celebrada na diversidade de Portugal, Brasil e Áfricas, dialoga com o mundo.
Buala.org pretende inscrever a complexidade do vasto campo cultural africano em acelerada mutação económica, política, social e cultural. Entendemos a cultura enquanto sistemas, comunidades, acontecimento, sensibilidades e fricções. Políticas e práticas culturais, e o que fica entre ambas. Problematizar questões ideológicas e históricas, entrelaçando tempos e legados. No fundo desejamos criar novos olhares, despretensiosos e descolonizados, a partir de vários pontos de enunciação da África contemporânea.
Buala.org concentra e disponibiliza materiais, imagens, projectos, intenções, afectos e memórias. É uma plataforma construída para as pessoas. Uma rede de trabalho para profissionais da cultura e do pensamento. Artistas, agentes culturais, investigadores, jornalistas, curiosos, viajantes e autores, todos se podem encontrar e habitar este Buala."
domingo, 6 de junho de 2010
Tiro ao alvo errado
Ao longo das últimas semanas têm sido publicados alguns artigos criticando a actuação da comunidade internacional face ao golpe militar de dia 1 de Abril e à crise por este gerada. Essencialmente estes (poucos) artigos menos abonatórios, sejam de analistas, jornalistas, simples curiosos ou outros, têm colocado em causa o papel das organizações internacionais, particularmente da União Europeia, pela sua manifestação de forte oposição contra os envolvidos no referido golpe e pelo facto de abertamente ser criticada a inércia demonstrada pelas autoridades da Guiné-Bissau na resolução do impasse.
A comparação que alguns procuram fazer entre os eventos de 1 de Abril e outros tristes acontecimentos ocorridos nos últimos meses e anos, como os assassinatos do Presidente Nino Vieira ou do General Tagme, e mais tarde dos ex-ministros Baciro Dabó e Helder Proença, tem, porém, de ser energicamente combatida. Não se pode levianamente acusar a comunidade internacional de ter duas posições consoante os seus interesses e as suas vontades. Estaríamos a ser injustos. De facto o que está em causa não é saber se estes acontecimentos são ou não mais graves do que os ocorridos no passado mas antes reconhecer que os eventos mais recentes foram desencadeados pelas altas chefias militares aos olhos de todos e sem reserva de identidade. Sem margem para dúvida que as mortes do passado são uma tragédia e todos estamos de acordo que a solução dos problemas do país não pode passar por actos como estes, no entanto, quando as próprias instituições nacionais à luz do dia são intervenientes num golpe, não resta à comunidade internacional outra saída que não seja a de condenar duramente os actos ocorridos no dia 1 de Abril.
O que torna estes acontecimentos de Abril (e cujas consequências infelizmente se perpetuam até hoje) diferentes de outros passados no país, é o facto de à vista de todos, com direito a transmissão via rádio e televisão, se conseguir claramente identificar aqueles que atentaram contra o estado de direito. Não há espaço para contradição. Os próprios envolvidos o admitem e até conseguem encontrar razões para os seus actos. Por vezes, a imaginação parece mesmo não ter limites... Neste caso (ao contrário de outros que aguardam há largos meses pelas conclusões das comissões entretanto criadas), conhecemos claramente quem são os responsáveis. Sabemos quem deu ordens, quem mandou prender o Chefe de Estado-maior das Forças Armadas, quem mandou prender o Primeiro-ministro ou quem ameaçou matar a população…
A comunidade internacional não pode ser acusada de ingerência nos assuntos internos do país quando actua e por outro lado ser acusada de nada fazer e pactuar com as ilegalidades quando aguarda que as autoridades nacionais tomem as medidas necessárias para fazer face ao desrespeito pela lei.
Fará, por outro lado, sentido justificar actos do presente com posições do passado? O facto de se ter actuado de determinada forma num dado momento, significa que se fique eternamente agarrado a essa posição? Se em determinadas situações a comunidade internacional foi acusada de ser demasiadamente permissiva e de certa forma pactuar com comportamentos censuráveis, deve agora ser obrigada a manter essa neutralidade e tudo aceitar? Repito: não entendo que a comunidade internacional tenha anteriormente actuado mal ou tenha sido excessivamente tolerante, apenas considero que o argumento utilizado é fraco e facilmente combatido. As circunstâncias hoje em dia são bem diferentes e obrigam a outro tipo de postura.
Não estará na mão daquele que financia, que envia os apoios humanos e materiais, que decide pela permanência de uma Missão ou projecto, tomar as suas decisões livremente? As circunstâncias, quando a UE aceitou participar no processo de reforma, eram diferentes, será que não existe o direito de estar ou não interessado em continuar a trabalhar com as autoridades nacionais? Se sou convidado para participar num torneio de futebol e mais tarde chego ao terreno de jogo e a organização me diz que afinal se vai jogar basquetebol, será que não está no meu direito decidir se continuo a participar ou não? Se estou a contar ter como interlocutores determinadas pessoas e de repente me vejo perante a situação de ser obrigado a dialogar com outras que não me dão a mesma confiança, sou obrigado a continuar?
A UE, ao contrário do que alguns quiseram fazer passar, não fez exigências para continuar os seus esforços na reforma do sector de defesa e segurança. O que fez sim, foi apresentar as condições que teriam de ser respeitadas para que no futuro continuasse as suas actividades nesta àrea, nomeadamente para que a Missão de implementação da Reforma tivesse início. Cabe ao Governo e às autoridades da Guiné-Bissau decidir o que pretendem para o seu futuro. Infelizmente, neste momento, parece que não estão criadas no país as condições para que essa decisão seja tomada em liberdade e segurança.
Irá o golpe militar de dia 1 de Abril alcançar os seus objectivos?
A comparação que alguns procuram fazer entre os eventos de 1 de Abril e outros tristes acontecimentos ocorridos nos últimos meses e anos, como os assassinatos do Presidente Nino Vieira ou do General Tagme, e mais tarde dos ex-ministros Baciro Dabó e Helder Proença, tem, porém, de ser energicamente combatida. Não se pode levianamente acusar a comunidade internacional de ter duas posições consoante os seus interesses e as suas vontades. Estaríamos a ser injustos. De facto o que está em causa não é saber se estes acontecimentos são ou não mais graves do que os ocorridos no passado mas antes reconhecer que os eventos mais recentes foram desencadeados pelas altas chefias militares aos olhos de todos e sem reserva de identidade. Sem margem para dúvida que as mortes do passado são uma tragédia e todos estamos de acordo que a solução dos problemas do país não pode passar por actos como estes, no entanto, quando as próprias instituições nacionais à luz do dia são intervenientes num golpe, não resta à comunidade internacional outra saída que não seja a de condenar duramente os actos ocorridos no dia 1 de Abril.
O que torna estes acontecimentos de Abril (e cujas consequências infelizmente se perpetuam até hoje) diferentes de outros passados no país, é o facto de à vista de todos, com direito a transmissão via rádio e televisão, se conseguir claramente identificar aqueles que atentaram contra o estado de direito. Não há espaço para contradição. Os próprios envolvidos o admitem e até conseguem encontrar razões para os seus actos. Por vezes, a imaginação parece mesmo não ter limites... Neste caso (ao contrário de outros que aguardam há largos meses pelas conclusões das comissões entretanto criadas), conhecemos claramente quem são os responsáveis. Sabemos quem deu ordens, quem mandou prender o Chefe de Estado-maior das Forças Armadas, quem mandou prender o Primeiro-ministro ou quem ameaçou matar a população…
A comunidade internacional não pode ser acusada de ingerência nos assuntos internos do país quando actua e por outro lado ser acusada de nada fazer e pactuar com as ilegalidades quando aguarda que as autoridades nacionais tomem as medidas necessárias para fazer face ao desrespeito pela lei.
Fará, por outro lado, sentido justificar actos do presente com posições do passado? O facto de se ter actuado de determinada forma num dado momento, significa que se fique eternamente agarrado a essa posição? Se em determinadas situações a comunidade internacional foi acusada de ser demasiadamente permissiva e de certa forma pactuar com comportamentos censuráveis, deve agora ser obrigada a manter essa neutralidade e tudo aceitar? Repito: não entendo que a comunidade internacional tenha anteriormente actuado mal ou tenha sido excessivamente tolerante, apenas considero que o argumento utilizado é fraco e facilmente combatido. As circunstâncias hoje em dia são bem diferentes e obrigam a outro tipo de postura.
Não estará na mão daquele que financia, que envia os apoios humanos e materiais, que decide pela permanência de uma Missão ou projecto, tomar as suas decisões livremente? As circunstâncias, quando a UE aceitou participar no processo de reforma, eram diferentes, será que não existe o direito de estar ou não interessado em continuar a trabalhar com as autoridades nacionais? Se sou convidado para participar num torneio de futebol e mais tarde chego ao terreno de jogo e a organização me diz que afinal se vai jogar basquetebol, será que não está no meu direito decidir se continuo a participar ou não? Se estou a contar ter como interlocutores determinadas pessoas e de repente me vejo perante a situação de ser obrigado a dialogar com outras que não me dão a mesma confiança, sou obrigado a continuar?
A UE, ao contrário do que alguns quiseram fazer passar, não fez exigências para continuar os seus esforços na reforma do sector de defesa e segurança. O que fez sim, foi apresentar as condições que teriam de ser respeitadas para que no futuro continuasse as suas actividades nesta àrea, nomeadamente para que a Missão de implementação da Reforma tivesse início. Cabe ao Governo e às autoridades da Guiné-Bissau decidir o que pretendem para o seu futuro. Infelizmente, neste momento, parece que não estão criadas no país as condições para que essa decisão seja tomada em liberdade e segurança.
Irá o golpe militar de dia 1 de Abril alcançar os seus objectivos?
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Guia de leitura em campo aberto
A União Europeia foi convidada pelas autoridades da Guiné-Bissau a enviar para o país uma Missão de aconselhamento na área da reforma da defesa e segurança. Essa Missão chegou ao país em Abril de 2008 e pouco depois começou as suas actividades. Ao contrário do que se possa pensar a União Europeia não foi convidada para fazer a Reforma completa do Sector de Defesa e Segurança, tarefa que como todos sabemos seria impossível de realizar a curto ou médio prazo, mas antes a prestar apoio às autoridades nacionais para dar início ao processo de Reforma. O que, convenhamos, é um pouco diferente.
Deve-se também ter presente que a Missão da UE tinha, em termos gerais, o mandato de aconselhamento para tornar operacional a estratégia nacional de Reforma do Sector de Segurança (documento aprovado na Assembleia Nacional Popular em Janeiro de 2008) através do apoio à elaboração de planos de execução detalhados para a redução dos efectivos/reestruturação das Forças Armadas e das Forças de Segurança.
Alguns parecem esquecer os dois anos de trabalho quase diário com os representantes dos diversos ministérios envolvidos na Reforma, nos comités de pilotagem ou no comité técnico de coordenação. Será mais importante a forma como cada um dos Conselheiros da Missão faz uso do seu tempo livre ou as horas diárias de trabalho passadas em conjunto com os militares, polícias e procuradores da Guiné-Bissau? Por ventura os meses de reuniões diárias, seminários e apresentações às autoridades nacionais contam menos do que o descanso ao fim de semana?
Os resultados podem não ser os mais visíveis, no entanto, numa 1ª fase da Reforma assim teria de ser. Como se pode avançar para aspectos mais práticos se a base não existe. Será do conhecimento de todos o facto de existir um Ministério do Interior mas não existir lei que o regule? Ou existir uma Polícia de Ordem Pública mas não uma lei que identifique as suas competências? Para que se desse início a uma fase de implementação da Reforma não se podia deixar de trabalhar primeiro a questão legal. Na Guiné-Bissau ao nível do processo legislativo da Reforma praticamente tudo estava por fazer ou se encontrava muito desactualizado. Como decidir onde devem ser instaladas novas esquadras de polícia ou quartéis militares se antes não for definida a razão da sua existência ou o local onde devem ficar localizados? Quantos militares ou polícias aí devem estar ou simplesmente o que lá vão estar a fazer?
O trabalho das chefias da Missão e essencialmente dos seus conselheiros foi precisamente, o de assessorar os representantes dos Ministérios da Defesa, Interior e Justiça, bem como os representantes do Estado Maior, das Polícias e da Procuradoria, na elaboração de um pacote legislativo que servisse de base a todo o processo de Reforma.
A Missão da UE não aprova as leis, decretos-lei ou regulamentos trabalhados em conjunto pelos representantes das autoridades nacionais e os conselheiros da Missão, mas presta assistência. Juntamente com todos aqueles que contribuíram para o objectivo final, não podemos deixar de nos sentir satisfeitos e com o sentido de dever cumprido pelo facto do pacote legislativo da Reforma ter sido finalmente aprovado pela Assembleia Nacional Popular (Maio de 2010). Um degrau já foi ultrapassado. Caberá agora ao Presidente da República promulgar as leis aprovadas para que o processo legislativo seja concluído e se possa, assim, avançar para a próxima fase.
As críticas construtivas são sempre bem-vindas, facilitam a discussão e contribuem para o resultado final. Porém falar ou escrever sem ter a mínima noção sobre aquilo de que se está a dizer, só pode servir para lançar a confusão e prejudicar o trabalho de quem verdadeiramente quer ajudar a Guiné-Bissau. Expressar opiniões sem suporte ou sem a preocupação de estudar melhor o assunto, conduz inevitavelmente a transmitir informações erradas ou falsas. Por outro lado será necessária a agressão verbal, má-fé e demagogia gratuita para fazermos passar as nossas ideias?
Deve-se também ter presente que a Missão da UE tinha, em termos gerais, o mandato de aconselhamento para tornar operacional a estratégia nacional de Reforma do Sector de Segurança (documento aprovado na Assembleia Nacional Popular em Janeiro de 2008) através do apoio à elaboração de planos de execução detalhados para a redução dos efectivos/reestruturação das Forças Armadas e das Forças de Segurança.
Alguns parecem esquecer os dois anos de trabalho quase diário com os representantes dos diversos ministérios envolvidos na Reforma, nos comités de pilotagem ou no comité técnico de coordenação. Será mais importante a forma como cada um dos Conselheiros da Missão faz uso do seu tempo livre ou as horas diárias de trabalho passadas em conjunto com os militares, polícias e procuradores da Guiné-Bissau? Por ventura os meses de reuniões diárias, seminários e apresentações às autoridades nacionais contam menos do que o descanso ao fim de semana?
Os resultados podem não ser os mais visíveis, no entanto, numa 1ª fase da Reforma assim teria de ser. Como se pode avançar para aspectos mais práticos se a base não existe. Será do conhecimento de todos o facto de existir um Ministério do Interior mas não existir lei que o regule? Ou existir uma Polícia de Ordem Pública mas não uma lei que identifique as suas competências? Para que se desse início a uma fase de implementação da Reforma não se podia deixar de trabalhar primeiro a questão legal. Na Guiné-Bissau ao nível do processo legislativo da Reforma praticamente tudo estava por fazer ou se encontrava muito desactualizado. Como decidir onde devem ser instaladas novas esquadras de polícia ou quartéis militares se antes não for definida a razão da sua existência ou o local onde devem ficar localizados? Quantos militares ou polícias aí devem estar ou simplesmente o que lá vão estar a fazer?
O trabalho das chefias da Missão e essencialmente dos seus conselheiros foi precisamente, o de assessorar os representantes dos Ministérios da Defesa, Interior e Justiça, bem como os representantes do Estado Maior, das Polícias e da Procuradoria, na elaboração de um pacote legislativo que servisse de base a todo o processo de Reforma.
A Missão da UE não aprova as leis, decretos-lei ou regulamentos trabalhados em conjunto pelos representantes das autoridades nacionais e os conselheiros da Missão, mas presta assistência. Juntamente com todos aqueles que contribuíram para o objectivo final, não podemos deixar de nos sentir satisfeitos e com o sentido de dever cumprido pelo facto do pacote legislativo da Reforma ter sido finalmente aprovado pela Assembleia Nacional Popular (Maio de 2010). Um degrau já foi ultrapassado. Caberá agora ao Presidente da República promulgar as leis aprovadas para que o processo legislativo seja concluído e se possa, assim, avançar para a próxima fase.
As críticas construtivas são sempre bem-vindas, facilitam a discussão e contribuem para o resultado final. Porém falar ou escrever sem ter a mínima noção sobre aquilo de que se está a dizer, só pode servir para lançar a confusão e prejudicar o trabalho de quem verdadeiramente quer ajudar a Guiné-Bissau. Expressar opiniões sem suporte ou sem a preocupação de estudar melhor o assunto, conduz inevitavelmente a transmitir informações erradas ou falsas. Por outro lado será necessária a agressão verbal, má-fé e demagogia gratuita para fazermos passar as nossas ideias?
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Estrelas amarelas
Alguma comunicação social tem o dom de deturpar as informações que lhes são transmitidas. Procuram títulos chamativos ou provocativos, que muitas vezes faltam à verdade. Nos últimos dias, em alguns casos propositadamente, foi avançado que a União Europeia abandonava todas as suas actividades relacionadas com a reforma do sector de defesa e segurança. Não corresponde à verdade.
As tentativas de atacar a UE são muitas e chegam de vários quadrantes. Felizmente aqueles que a defendem e entendem o seu papel fundamental são muito mais. Alguns esquecem quem é o maior doador multilateral da Guiné-Bissau e aquele que possibilita ao país fazer face às suas necessidades mais imediatas. Esquecem também quem lhe concede a necessária ajuda orçamental. É sabido que o país não tem infelizmente receitas próprias para se auto-sustentar e que apenas com a ajuda da comunidade internacional, com a UE à frente, consegue cumprir as suas obrigações.
Hoje, dia 31 de Maio, termina o período de extensão de 6 meses da Missão da União Europeia de apoio à Reforma do Sector de Segurança na Guiné-Bissau. O mandato para o qual a Missão foi convidada a deslocar-se ao país foi atingido. Esta afirmação pode causar alguma estranheza a certas pessoas mas isso apenas reflecte o seu desconhecimento total sobre qual o mandato desta Missão da União Europeia. Voltarei outro dia ao assunto.
O que sucedeu porém foi a suspensão do início da nova Missão da União Europeia. Anúncio que poderá ter causado alguma confusão nos menos informados. Esta nova Missão que deveria surgir na sequência daquela que termina hoje o seu mandato foi suspensa por decisão da União Europeia em resultado da tentativa de golpe militar do dia 1 de Abril deste ano bem como pelo facto de não terem sido criadas pelo Governo da Guiné-Bissau algumas das condições consideradas fundamentais pela União Europeia para que a nova Missão avançasse. Esta nova Missão agora suspensa corresponderia à segunda fase do processo de reforma. Uma fase muito mais prática, que passaria nomeadamente pela implementação das leis da Reforma que recentemente foram aprovadas na Assembleia Nacional Popular, pela formação e pelo desenvolvimento de projectos nas áreas da defesa, segurança e justiça.
Neste sequência, e para que o trabalho realizado tivesse uma continuidade, foi decidido pelos Estados-membros em Bruxelas, em sintonia com as autoridades nacionais, prolongar durante os próximos quatro meses (até 30 de Setembro) a presente Missão. Esta manter-se-á na Guiné-Bissau, embora num formato mais reduzido em termos de recursos humanos e actividades. O seu principal objectivo será o de monitorizar o evoluir da situação político-militar no país e contribuir para a análise da possibilidade de um futuro envolvimento da UE no apoio à Reforma do Sector de Segurança na Guiné-Bissau.
Ficarei em Bissau pelo menos mais 4 meses.
As tentativas de atacar a UE são muitas e chegam de vários quadrantes. Felizmente aqueles que a defendem e entendem o seu papel fundamental são muito mais. Alguns esquecem quem é o maior doador multilateral da Guiné-Bissau e aquele que possibilita ao país fazer face às suas necessidades mais imediatas. Esquecem também quem lhe concede a necessária ajuda orçamental. É sabido que o país não tem infelizmente receitas próprias para se auto-sustentar e que apenas com a ajuda da comunidade internacional, com a UE à frente, consegue cumprir as suas obrigações.
Hoje, dia 31 de Maio, termina o período de extensão de 6 meses da Missão da União Europeia de apoio à Reforma do Sector de Segurança na Guiné-Bissau. O mandato para o qual a Missão foi convidada a deslocar-se ao país foi atingido. Esta afirmação pode causar alguma estranheza a certas pessoas mas isso apenas reflecte o seu desconhecimento total sobre qual o mandato desta Missão da União Europeia. Voltarei outro dia ao assunto.
O que sucedeu porém foi a suspensão do início da nova Missão da União Europeia. Anúncio que poderá ter causado alguma confusão nos menos informados. Esta nova Missão que deveria surgir na sequência daquela que termina hoje o seu mandato foi suspensa por decisão da União Europeia em resultado da tentativa de golpe militar do dia 1 de Abril deste ano bem como pelo facto de não terem sido criadas pelo Governo da Guiné-Bissau algumas das condições consideradas fundamentais pela União Europeia para que a nova Missão avançasse. Esta nova Missão agora suspensa corresponderia à segunda fase do processo de reforma. Uma fase muito mais prática, que passaria nomeadamente pela implementação das leis da Reforma que recentemente foram aprovadas na Assembleia Nacional Popular, pela formação e pelo desenvolvimento de projectos nas áreas da defesa, segurança e justiça.
Neste sequência, e para que o trabalho realizado tivesse uma continuidade, foi decidido pelos Estados-membros em Bruxelas, em sintonia com as autoridades nacionais, prolongar durante os próximos quatro meses (até 30 de Setembro) a presente Missão. Esta manter-se-á na Guiné-Bissau, embora num formato mais reduzido em termos de recursos humanos e actividades. O seu principal objectivo será o de monitorizar o evoluir da situação político-militar no país e contribuir para a análise da possibilidade de um futuro envolvimento da UE no apoio à Reforma do Sector de Segurança na Guiné-Bissau.
Ficarei em Bissau pelo menos mais 4 meses.
domingo, 30 de maio de 2010
Declaração de Março
A declaração de que muitos suspeitavam e se falava foi publicada na passada 5ª feira, dia 27 de Maio, pelo Luanda Digital. Até ao momento as reacções das partes envolvidas não são conhecidas. O Primeiro-ministro continua em Lisboa depois de mais de um mês de ausência do país. Os tratamentos médicos em Cuba, o necessário acompanhamento e controlo médico nesse país e mais tarde em Portugal onde também tiveram lugar encontros com a União Europeia e autoridades portuguesas, as viagens a Paris, novas reuniões em Lisboa, a actual situação de instabilidade no país, têm contribuído para o prolongar da estadia. Por sua vez o Presidente também viajou e não se encontra em Bissau. A participação em Nice na Cimeira França-Africa e posteriores exames médicos em Paris tornam incerta também a sua data de regresso. O Vice-chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Gen. Indjai, não comentou. O Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, Alm. Zamora Induta, continua preso sem se saber muito bem qual a sua situação jurídica ou o seu estado de saúde. Aguardam-se as consequências mesmo que alguns queiram fingir que nada se passou.
A notícia do Luanda Digital:
Indjai confessa papel activo no narcotráfico
De acordo com um documento ao qual a redacção do Luanda Digital teve acesso, António Indjai terá assinado uma confissão de culpa a 05 de Março de 2010, reconhecendo a sua participação na acção de narcotráfico realizada a 01 de Março de 2010 em Cufar, Sul da Guiné-Bissau.
Segundo fontes da Presidência da República, descontentes com o rumo que a situação política do país está a tomar, a confissão terá sido assinada na presença do Presidente da República Malam Bacai Sanha, do Procurador Geral da República Amine Saad e do CEMGFA Zamora Induta. Nessa reunião, Indjai ter-se-á igualmente comprometido a fazer uma retirada estratégica para Cuba, alegando a necessidade de tratamentos médicos, deixando espaço a que tanto o Presidente Malam como Zamora Induta procedessem à resolução deste caso, no sentido de evitar mais um escândalo internacional de participação dos militares numa operação de narcotráfico.
No entanto, sentindo que o seu afastamento das Forças Armadas estaria em preparação, António Indjai terá antecipado o seu regresso a Bissau para 31 de Março. Durante a noite, mobilizou os apoios militares que lhe permitiram desencadear as acções de 01 de Abril e que culminaram na detenção de Zamora Induta e do Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior, libertado poucas horas depois, após forte manifestação popular. As palavras de António Indjai a ameaçar «matar o Primeiro-ministro» levaram ao reforço do apoio popular a Carlos Gomes Júnior, que se sentiu em Bissau durante o dia das movimentações.
O facto do Presidente Malam não ter ainda apresentado publicamente a cópia desta confissão de António Indjai está a causar bastante desconforto entre alguns dos conselheiros presidenciais. Fontes da Presidência garantem a existência de profundas fracturas no círculo próximo de Malam Bacai devido a discordâncias na forma como este está a liderar a saída da crise guineense.
TRANSCRIÇÃO DA NOTA DE CONFISSÃO DE ANTÓNIO INJAI:
Declaração
Eu abaixo assinado, António Injai, Major General das Forças Armadas Revolucionárias do Povo, vulgo FARP, exercendo as funções de Vice-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, ciente da preocupação e determinação das autoridades nacionais no sentido de apurar a veracidade ou não da denúncia relativa à utilização da pista de Cufar por uma aeronave pertencente a narcotraficantes, no passado dia 1 do corrente mês, reconheço e confesso tal facto, por ter autorizado a aterragem da aeronave, acto que, indubitavelmente, põe em causa o bom nome do Estado da Guiné-Bissau, bem como os engajamentos internacionais por ele assumidos.
Por ser verdade o atrás confessado, e por este acto ser atentatório da honra das nossas gloriosas Forças Armadas Revolucionárias do Povo e posto em causa uma das traves mestras do engajamento político de Sua Excelência Senhor Presidente da República e do Governo, de lutar, sem tréguas, contra o narcotráfico, entendo que é meu dever colaborar com as autoridades do país com vista a consolidar a estabilidade e a paz social pelo que decidi voluntariamente colocar-me à disposição das autoridades da Guiné-Bissau para o aprofundamento das investigações sobre o caso em apreço.
Por ser verdade, produzi voluntariamente a presente declaração que vai por mim assinado, na presença de Sua Excelência o Presidente da República.
Bissau, 05 de Março de 2010
Antonio Injai
Major General das Forças Armadas
http://www.luandadigital.com/noticias.php?idnoticia=6769
A notícia do Luanda Digital:
Indjai confessa papel activo no narcotráfico
De acordo com um documento ao qual a redacção do Luanda Digital teve acesso, António Indjai terá assinado uma confissão de culpa a 05 de Março de 2010, reconhecendo a sua participação na acção de narcotráfico realizada a 01 de Março de 2010 em Cufar, Sul da Guiné-Bissau.
Segundo fontes da Presidência da República, descontentes com o rumo que a situação política do país está a tomar, a confissão terá sido assinada na presença do Presidente da República Malam Bacai Sanha, do Procurador Geral da República Amine Saad e do CEMGFA Zamora Induta. Nessa reunião, Indjai ter-se-á igualmente comprometido a fazer uma retirada estratégica para Cuba, alegando a necessidade de tratamentos médicos, deixando espaço a que tanto o Presidente Malam como Zamora Induta procedessem à resolução deste caso, no sentido de evitar mais um escândalo internacional de participação dos militares numa operação de narcotráfico.
No entanto, sentindo que o seu afastamento das Forças Armadas estaria em preparação, António Indjai terá antecipado o seu regresso a Bissau para 31 de Março. Durante a noite, mobilizou os apoios militares que lhe permitiram desencadear as acções de 01 de Abril e que culminaram na detenção de Zamora Induta e do Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior, libertado poucas horas depois, após forte manifestação popular. As palavras de António Indjai a ameaçar «matar o Primeiro-ministro» levaram ao reforço do apoio popular a Carlos Gomes Júnior, que se sentiu em Bissau durante o dia das movimentações.
O facto do Presidente Malam não ter ainda apresentado publicamente a cópia desta confissão de António Indjai está a causar bastante desconforto entre alguns dos conselheiros presidenciais. Fontes da Presidência garantem a existência de profundas fracturas no círculo próximo de Malam Bacai devido a discordâncias na forma como este está a liderar a saída da crise guineense.
TRANSCRIÇÃO DA NOTA DE CONFISSÃO DE ANTÓNIO INJAI:
Declaração
Eu abaixo assinado, António Injai, Major General das Forças Armadas Revolucionárias do Povo, vulgo FARP, exercendo as funções de Vice-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, ciente da preocupação e determinação das autoridades nacionais no sentido de apurar a veracidade ou não da denúncia relativa à utilização da pista de Cufar por uma aeronave pertencente a narcotraficantes, no passado dia 1 do corrente mês, reconheço e confesso tal facto, por ter autorizado a aterragem da aeronave, acto que, indubitavelmente, põe em causa o bom nome do Estado da Guiné-Bissau, bem como os engajamentos internacionais por ele assumidos.
Por ser verdade o atrás confessado, e por este acto ser atentatório da honra das nossas gloriosas Forças Armadas Revolucionárias do Povo e posto em causa uma das traves mestras do engajamento político de Sua Excelência Senhor Presidente da República e do Governo, de lutar, sem tréguas, contra o narcotráfico, entendo que é meu dever colaborar com as autoridades do país com vista a consolidar a estabilidade e a paz social pelo que decidi voluntariamente colocar-me à disposição das autoridades da Guiné-Bissau para o aprofundamento das investigações sobre o caso em apreço.
Por ser verdade, produzi voluntariamente a presente declaração que vai por mim assinado, na presença de Sua Excelência o Presidente da República.
Bissau, 05 de Março de 2010
Antonio Injai
Major General das Forças Armadas
http://www.luandadigital.com/noticias.php?idnoticia=6769
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Biosfera reservada
No dia 22 de Maio celebrou-se dia internacional da biodiversidade. Para lembrar deixo umas fotografias da ilha de João Vieira, uma das ilhas do arquipélago dos Bijagós, que se encontra classificado pela UNESCO como Reserva da Biosfera e Património da Humanidade. Umas mini-férias em boa companhia e muito mais. Ilha desertas para guardar e repetir.
São anteriores ao primeiro de Abril, a data em que muito mudou em Bissau, mesmo que alguns ainda queiram fazer passar uma ideia contrária.
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São anteriores ao primeiro de Abril, a data em que muito mudou em Bissau, mesmo que alguns ainda queiram fazer passar uma ideia contrária.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
Festival da Europa
EU Open Day
On Saturday 8 May 2010, from 10 am till 6 pm, at various locations in Brussels: the Festival of Europe.
9 May is Europe Day, the day of the European Union. One day earlier this year, the Festival of Europe will take place. Activities and celebrations in all 27 EU countries have to bring Europe closer to the citizens. Brussels, the capital of Europe, also celebrates this day. The city welcomes many institutions on its territory: the European Parliament, the Economic and Social Committee, the European Commission, the Committee of Regions and the Council of the European Union. These institutions will organize an open day with activities in the European quarter.

On Saturday 8 May 2010, from 10 am till 6 pm, at various locations in Brussels: the Festival of Europe.
9 May is Europe Day, the day of the European Union. One day earlier this year, the Festival of Europe will take place. Activities and celebrations in all 27 EU countries have to bring Europe closer to the citizens. Brussels, the capital of Europe, also celebrates this day. The city welcomes many institutions on its territory: the European Parliament, the Economic and Social Committee, the European Commission, the Committee of Regions and the Council of the European Union. These institutions will organize an open day with activities in the European quarter.

domingo, 2 de maio de 2010
A triste sina
Num período em que algumas vozes tornam a levantar-se contra o desempenho da comunidade internacional e em particular contra o papel de Portugal na Guiné-Bissau, deixo um interessante texto do Manuel Enes Ferreira recentemente publicado no jornal Expresso.
"Uma vez mais, e pelas piores razões, a Guiné-Bissau esteve por momentos nos telejornais e na imprensa escrita. De Estado frágil a narcoestado, os epítetos multiplicam-se. Não é apenas o país que é posto em causa. É, por arrasto, África. E com grande injustiça, diga-se, para todos aqueles que ali tentam dar o seu melhor no campo político, social ou económico. Não é fácil entender o que realmente alimenta a instabilidade de forma cíclica. Meras questões étnicas? Regionais? Ajustes do passado? Ou será tudo uma questão meramente venal, os interesses da droga e a ideia de que o país produzirá petróleo e outras matérias-primas muito interessantes (bauxite)? Não sei, mas do que estou certo é de que não é a comunidade internacional, sejam as Nações Unidas, a União Africana, a CEDEAO, Portugal, Angola ou a CPLP que poderão impor uma solução. Questões como estas radicam fundamentalmente em motivações internas, sejam elas quais forem. E isto é motivo para voltar as costas à Guiné-Bissau? Longe disso. O que fazer e como, não é fácil. A 5 de Março, o Conselho de Segurança da ONU saudou os esforços do Governo na procura da estabilização e reforma. Nem passou um mês e o mesmo órgão via-se obrigado a dizer que as partes deveriam "resolver as suas diferenças através do diálogo". Na verdade ninguém se pode substituir aos guineenses. Portugal tem feito, conjuntamente com a comunidade internacional, o que pode... e a mais não é obrigado. E não tem sido tão pouco assim. Muitos dirão que é tempo perdido. Perdido não só porque 'aquilo' não tem solução, o que é sempre arrepiante de ouvir, mas porque a Guiné-Bissau não pesa nas relações económicas de Portugal. Na realidade, as exportações portuguesas que eram de 22 milhões de euros em 1995, dez anos depois mantinham-se nos 24 milhões e no ano passado subiram para uns meros 33 milhões de euros, ou seja, 0,1% das vendas totais portuguesas ao exterior. Do lado das importações pior: apenas 5 milhões de euros em 1995, 1 milhão em 2005 e 1,3 milhões de euros em 2009! No cômputo dos PALOP, vale pouco mais de 1%. E no que respeita ao investimento português, o panorama ainda é mais esclarecedor: em 2006 investiram-se 200 mil euros e em 2009 apenas 122 mil. A dívida para com Portugal está em atraso pelo menos desde 2003, sendo que em 2008 valia 125 milhões de euros com 48 milhões atrasados. É o único dos países africanos lusófonos onde, em Junho de 2009, não havia presença de um banco português. Nesta relação bilateral, a única coisa que corre de feição à Guiné-Bissau são os envios de remessas dos seus emigrantes em terra lusa (mais de 6 milhões de euros em 2008, à frente de São Tomé e Príncipe e Moçambique). Mas é esta a óptica que deve guiar a posição portuguesa naquele país? De forma alguma. O país e a sua população merecem respeito e dignidade. Mas a solução encontra-se lá dentro e a impotência da comunidade internacional reflecte apenas isso mesmo, o que não é pouco e é trágico."
Mais elementos para a discussão.
http://aeiou.expresso.pt/a-triste-sina-da-guine-bissau=f576676
"Uma vez mais, e pelas piores razões, a Guiné-Bissau esteve por momentos nos telejornais e na imprensa escrita. De Estado frágil a narcoestado, os epítetos multiplicam-se. Não é apenas o país que é posto em causa. É, por arrasto, África. E com grande injustiça, diga-se, para todos aqueles que ali tentam dar o seu melhor no campo político, social ou económico. Não é fácil entender o que realmente alimenta a instabilidade de forma cíclica. Meras questões étnicas? Regionais? Ajustes do passado? Ou será tudo uma questão meramente venal, os interesses da droga e a ideia de que o país produzirá petróleo e outras matérias-primas muito interessantes (bauxite)? Não sei, mas do que estou certo é de que não é a comunidade internacional, sejam as Nações Unidas, a União Africana, a CEDEAO, Portugal, Angola ou a CPLP que poderão impor uma solução. Questões como estas radicam fundamentalmente em motivações internas, sejam elas quais forem. E isto é motivo para voltar as costas à Guiné-Bissau? Longe disso. O que fazer e como, não é fácil. A 5 de Março, o Conselho de Segurança da ONU saudou os esforços do Governo na procura da estabilização e reforma. Nem passou um mês e o mesmo órgão via-se obrigado a dizer que as partes deveriam "resolver as suas diferenças através do diálogo". Na verdade ninguém se pode substituir aos guineenses. Portugal tem feito, conjuntamente com a comunidade internacional, o que pode... e a mais não é obrigado. E não tem sido tão pouco assim. Muitos dirão que é tempo perdido. Perdido não só porque 'aquilo' não tem solução, o que é sempre arrepiante de ouvir, mas porque a Guiné-Bissau não pesa nas relações económicas de Portugal. Na realidade, as exportações portuguesas que eram de 22 milhões de euros em 1995, dez anos depois mantinham-se nos 24 milhões e no ano passado subiram para uns meros 33 milhões de euros, ou seja, 0,1% das vendas totais portuguesas ao exterior. Do lado das importações pior: apenas 5 milhões de euros em 1995, 1 milhão em 2005 e 1,3 milhões de euros em 2009! No cômputo dos PALOP, vale pouco mais de 1%. E no que respeita ao investimento português, o panorama ainda é mais esclarecedor: em 2006 investiram-se 200 mil euros e em 2009 apenas 122 mil. A dívida para com Portugal está em atraso pelo menos desde 2003, sendo que em 2008 valia 125 milhões de euros com 48 milhões atrasados. É o único dos países africanos lusófonos onde, em Junho de 2009, não havia presença de um banco português. Nesta relação bilateral, a única coisa que corre de feição à Guiné-Bissau são os envios de remessas dos seus emigrantes em terra lusa (mais de 6 milhões de euros em 2008, à frente de São Tomé e Príncipe e Moçambique). Mas é esta a óptica que deve guiar a posição portuguesa naquele país? De forma alguma. O país e a sua população merecem respeito e dignidade. Mas a solução encontra-se lá dentro e a impotência da comunidade internacional reflecte apenas isso mesmo, o que não é pouco e é trágico."
Mais elementos para a discussão.
http://aeiou.expresso.pt/a-triste-sina-da-guine-bissau=f576676
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Miscelânea de tabus
“A política guineense está envolta de uma miscelânea de «tabus» e «ormettas» onde todos os culpados são eternamente presumíveis e todos os mistérios permanecem no mesmo estado, permitindo a proliferação dos rumores que por vezes são fatais alimentando um desejo de vingança. Um círculo vicioso, quase mágico... talvez por isso a palavra «mistério» na Guiné-Bissau seja sinónimo de «feitiço» ou «magia». Só alguns conhecem as suas entranhas mas todos sentem a acção dos seus efeitos.”
http://www.jornal.st/noticias.php?noticia=7327
http://www.jornal.st/noticias.php?noticia=7327
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Aldeia dos músicos
Depois da festa dos dois anos em Bissau e voltando um pouco atrás.
Tabato é uma pequena aldeia a 12km de Bafatá mais conhecida por ali se encontrar instalada uma comunidade de músicos e de gente que vive da música. Para chegarmos à tabanca seguimos, à semelhança de muitas outras pelo interior da Guiné-Bissau, por uma tortuosa estrada de terra ladeada de cajueiros e procuramos encontrar o melhor caminho entre lombas, buracos e vegetação cerrada.
A aldeia é famosa pela enorme diversidade de cantores e músicos que ali vivem e que aos poucos começam a ser ouvidos um pouco por toda a Guiné-Bissau. Tendo mesmo alguns deles conseguido já alguma projecção fora do país. Nesta aldeia as crianças nascem a ouvir música e são ensinadas desde muito novas na arte de cantar e tocar. No seio das suas famílias recebem a partilha dos sons e rapidamente a música lhes entra no corpo ao mesmo tempo que aprendem a dar os primeiros passos.
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Esta convivência natural com a música tem como consequência a evolução de alguns como contadores de histórias à moda antiga ou griots, uma espécie de cantores-poeta cujas canções narram contos e lendas da tradição africana. São um elemento essencial da vida cultural pois são eles os transmissores das memórias e saberes. Uma forma de manter sempre viva a história dos antigos, os costumes e tradições do povo em locais onde a escrita tarda em aparecer. Os temas por eles abordados tocam essencialmente a liberdade, o sofrimento, a luta contra a pobreza, os direitos das mulheres e o amor.
Ouvimos várias histórias sobre as suas origens. Segundo alguém os familiares antepassados, avós dos avós, procuravam um lugar para instalar a aldeia quando ouviram sons no meio da floresta. Uma espécie de chamamento não identificado semelhante ao produzido pelos balafons (xilofones típicos em madeira vermelha), e resolveram instalar-se definitivamente naquela área. Outros dizem que a sua história se cruza com as de tribos nómadas oriundas do Mali. Entre estas um grupo de músicos terá agradado tanto o régulo guineense local que este os convidou a instalarem-se na região. Sejam ou não estas histórias fruto do imaginário tradicional, a verdade é que o local ficou popular como centro de música e dança. O artesanato que lhes proporciona um rendimento extra também se desenvolveu, bem como a construção dos instrumentos musicais.
Enquanto passeamos pela aldeia e nos mostram os avanços na construção da casa de visitas, o concerto começa a ser preparado. No centro da tabanca, junto da maior casa, aproveitando o enquadramento e os degraus, os músicos e dançarinos começam a organizar-se. A luz começa a cair e o ambiente torna-se mais propício para o espectáculo. Temos duas ou três filas de homens músicos, à esquerda e ao centro, cada um com o seu instrumento, balafons, jambés e outros de nome desconhecido. Mais à direita posicionam-se as mulheres dançarinas e cantoras. A forma e o à vontade com que os preparativos se desenrolam demonstram como o processo já se encontra mecanizado. Algumas cadeiras são disponibilizadas para acomodar a assistência, nós.
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A aldeia praticamente pára. Todos se reúnem no centro da tabanca e a encenação começa. Os sons dos instrumentos começam a surgir do conjunto e o ambiente aquece. São acompanhados por cantigas faladas e gritos exuberantes. O ritmo é desconcertante. Umas vezes calmo e ritmado outras mais perto da análise clínica. A música contagia e rapidamente crianças e mulheres estão no centro do palco dançando e exibindo coreografias. Alguns participam e outros assistem.
Fruto da necessidade a comunidade já se habituou a solicitar algo em troca pelas suas actuações. Organizam-se e sobrevivem com os rendimentos provenientes do seu desempenho. Umas vezes são pagos em géneros, essencialmente nas visitas a outras aldeias ou participação em eventos locais; do lado dos estrangeiros o pagamento é normalmente feito em dinheiro. A contribuição de todos é essencial para a sua sobrevivência.
Tabato é uma pequena aldeia a 12km de Bafatá mais conhecida por ali se encontrar instalada uma comunidade de músicos e de gente que vive da música. Para chegarmos à tabanca seguimos, à semelhança de muitas outras pelo interior da Guiné-Bissau, por uma tortuosa estrada de terra ladeada de cajueiros e procuramos encontrar o melhor caminho entre lombas, buracos e vegetação cerrada.
A aldeia é famosa pela enorme diversidade de cantores e músicos que ali vivem e que aos poucos começam a ser ouvidos um pouco por toda a Guiné-Bissau. Tendo mesmo alguns deles conseguido já alguma projecção fora do país. Nesta aldeia as crianças nascem a ouvir música e são ensinadas desde muito novas na arte de cantar e tocar. No seio das suas famílias recebem a partilha dos sons e rapidamente a música lhes entra no corpo ao mesmo tempo que aprendem a dar os primeiros passos.
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Esta convivência natural com a música tem como consequência a evolução de alguns como contadores de histórias à moda antiga ou griots, uma espécie de cantores-poeta cujas canções narram contos e lendas da tradição africana. São um elemento essencial da vida cultural pois são eles os transmissores das memórias e saberes. Uma forma de manter sempre viva a história dos antigos, os costumes e tradições do povo em locais onde a escrita tarda em aparecer. Os temas por eles abordados tocam essencialmente a liberdade, o sofrimento, a luta contra a pobreza, os direitos das mulheres e o amor.Ouvimos várias histórias sobre as suas origens. Segundo alguém os familiares antepassados, avós dos avós, procuravam um lugar para instalar a aldeia quando ouviram sons no meio da floresta. Uma espécie de chamamento não identificado semelhante ao produzido pelos balafons (xilofones típicos em madeira vermelha), e resolveram instalar-se definitivamente naquela área. Outros dizem que a sua história se cruza com as de tribos nómadas oriundas do Mali. Entre estas um grupo de músicos terá agradado tanto o régulo guineense local que este os convidou a instalarem-se na região. Sejam ou não estas histórias fruto do imaginário tradicional, a verdade é que o local ficou popular como centro de música e dança. O artesanato que lhes proporciona um rendimento extra também se desenvolveu, bem como a construção dos instrumentos musicais.
Enquanto passeamos pela aldeia e nos mostram os avanços na construção da casa de visitas, o concerto começa a ser preparado. No centro da tabanca, junto da maior casa, aproveitando o enquadramento e os degraus, os músicos e dançarinos começam a organizar-se. A luz começa a cair e o ambiente torna-se mais propício para o espectáculo. Temos duas ou três filas de homens músicos, à esquerda e ao centro, cada um com o seu instrumento, balafons, jambés e outros de nome desconhecido. Mais à direita posicionam-se as mulheres dançarinas e cantoras. A forma e o à vontade com que os preparativos se desenrolam demonstram como o processo já se encontra mecanizado. Algumas cadeiras são disponibilizadas para acomodar a assistência, nós.
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A aldeia praticamente pára. Todos se reúnem no centro da tabanca e a encenação começa. Os sons dos instrumentos começam a surgir do conjunto e o ambiente aquece. São acompanhados por cantigas faladas e gritos exuberantes. O ritmo é desconcertante. Umas vezes calmo e ritmado outras mais perto da análise clínica. A música contagia e rapidamente crianças e mulheres estão no centro do palco dançando e exibindo coreografias. Alguns participam e outros assistem. Fruto da necessidade a comunidade já se habituou a solicitar algo em troca pelas suas actuações. Organizam-se e sobrevivem com os rendimentos provenientes do seu desempenho. Umas vezes são pagos em géneros, essencialmente nas visitas a outras aldeias ou participação em eventos locais; do lado dos estrangeiros o pagamento é normalmente feito em dinheiro. A contribuição de todos é essencial para a sua sobrevivência.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
De mãos atadas sem acção
As declarações do meu Chefe aqui em Bissau, embora necessariamente limitadas e dependentes de Bruxelas, foram claras em condenar os actos que tiveram lugar no dia 1de Abril. Deixo-as no modo como foram distribuídas pela LUSA:
O chefe da Missão da União Europeia para a Reforma do Sector de Defesa e Segurança na Guiné-Bissau, Gen. Juan Esteban Verastegui, considerou a intervenção militar de dia 1 de Abril como acto criminoso e aguarda instruções sobre futuro da Missão.
"Esperamos que as decisões políticas a serem tomadas clarifiquem a situação, mas hoje não temos informação das estruturas guineenses do que se está a passar no sentido do posicionamento do primeiro ministro e do presidente em relação aos actos criminosos, porque os actos do dia 1 foram criminosos. Temos de ser prudentes, analisar bem o que se está a passar. (…) Até hoje, podiam ser actuações de pessoas ligadas às Forças Armadas, mas a partir do momento em que as chefias das Forças Armadas estão envolvidas no problema é um problema institucional. (…) Não sabemos com quem devemos falar e acho que de momento seria bom dar um tempo de reflexão e esperar também instruções de Bruxelas" sobre o futuro da Missão. A situação é complicada.”
http://aeiou.expresso.pt/guine-bissau-acontecimentos-de-01-de-abril-foram-atos-criminosos-chefe-da-missao-da-ue=f575323
http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1057351.html
O chefe da Missão da União Europeia para a Reforma do Sector de Defesa e Segurança na Guiné-Bissau, Gen. Juan Esteban Verastegui, considerou a intervenção militar de dia 1 de Abril como acto criminoso e aguarda instruções sobre futuro da Missão.
"Esperamos que as decisões políticas a serem tomadas clarifiquem a situação, mas hoje não temos informação das estruturas guineenses do que se está a passar no sentido do posicionamento do primeiro ministro e do presidente em relação aos actos criminosos, porque os actos do dia 1 foram criminosos. Temos de ser prudentes, analisar bem o que se está a passar. (…) Até hoje, podiam ser actuações de pessoas ligadas às Forças Armadas, mas a partir do momento em que as chefias das Forças Armadas estão envolvidas no problema é um problema institucional. (…) Não sabemos com quem devemos falar e acho que de momento seria bom dar um tempo de reflexão e esperar também instruções de Bruxelas" sobre o futuro da Missão. A situação é complicada.”
http://aeiou.expresso.pt/guine-bissau-acontecimentos-de-01-de-abril-foram-atos-criminosos-chefe-da-missao-da-ue=f575323
http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1057351.html
terça-feira, 13 de abril de 2010
Evocações no Estoril
Diogo Navarro inaugura na próxima Sexta-feira, dia 16 de Abril, às 21.30 horas, na Galeria de Arte do Casino Estoril, uma exposição de Pintura. Tendo nascido em Moçambique, trouxe dessas terras banhadas pelo Índico o fascínio da cor e da luz, elementos que irão marcar toda a sua obra e na qual a natureza, ou se preferirmos, a mãe natureza será o seu tema preferido.
Foi em Junho de 2006 que este, ainda jovem pintor, realizou a sua primeira grande exposição individual, na Galeria de Arte do Casino Estoril, evidenciando já uma carreira promissora, fruto de um inegável e invulgar talento. Só que para um artista triunfar não basta ter talento. É preciso saber utilizá-lo, estudando, trabalhando, investigando, aprendendo com os mestres. Foi isso que o Diogo fez. Estudou pintura, técnica de gravura, design gráfico e realidade virtual, na Sociedade Nacional de Belas Artes e, também, na Diferença.

Realizou 21 exposições individuais e participou em meia centena de colectivas. As suas obras integram exigentes colecções públicas e privadas, no país e no estrangeiro.
Na presente exposição, a que chamou Evocações, para evocar momentos significativos do seu percurso artístico, com presenças em outros mundos e regiões, como Paris, Mónaco e Miami, não esquecendo também o Minho, Viana do Castelo, onde tem as suas raízes, Diogo Navarro aparece-nos agora com novos trabalhos, com uma paleta mais rica e forte, nas cores utilizadas, onde o expressionismo está presente com acerto técnico e inegável qualidade plástica.
Afirma-se, já não como uma revelação, mas uma certeza, no mundo artístico. Estamos certos de que esta exposição marcará um importante ponto de consagração da sua obra, com lugar destacado no panorama das Artes Plásticas Portuguesas, deixando antever um importante crescimento qualitativo nos anos mais próximos.
Diogo Navarro assinala a inauguração desta sua exposição com o lançamento de um livro, que documenta, através da reprodução de trabalhos de sua autoria, antologicamente seleccionados, o seu percurso artístico, iniciativa que os seus coleccionadores certamente apreciarão.
Esta exposição ficará patente ao público até 18 de Maio, todos os dias, das 15h às 24h.
Galeria de Arte do Casino Estoril
Foi em Junho de 2006 que este, ainda jovem pintor, realizou a sua primeira grande exposição individual, na Galeria de Arte do Casino Estoril, evidenciando já uma carreira promissora, fruto de um inegável e invulgar talento. Só que para um artista triunfar não basta ter talento. É preciso saber utilizá-lo, estudando, trabalhando, investigando, aprendendo com os mestres. Foi isso que o Diogo fez. Estudou pintura, técnica de gravura, design gráfico e realidade virtual, na Sociedade Nacional de Belas Artes e, também, na Diferença.

Realizou 21 exposições individuais e participou em meia centena de colectivas. As suas obras integram exigentes colecções públicas e privadas, no país e no estrangeiro.
Na presente exposição, a que chamou Evocações, para evocar momentos significativos do seu percurso artístico, com presenças em outros mundos e regiões, como Paris, Mónaco e Miami, não esquecendo também o Minho, Viana do Castelo, onde tem as suas raízes, Diogo Navarro aparece-nos agora com novos trabalhos, com uma paleta mais rica e forte, nas cores utilizadas, onde o expressionismo está presente com acerto técnico e inegável qualidade plástica.
Afirma-se, já não como uma revelação, mas uma certeza, no mundo artístico. Estamos certos de que esta exposição marcará um importante ponto de consagração da sua obra, com lugar destacado no panorama das Artes Plásticas Portuguesas, deixando antever um importante crescimento qualitativo nos anos mais próximos.
Diogo Navarro assinala a inauguração desta sua exposição com o lançamento de um livro, que documenta, através da reprodução de trabalhos de sua autoria, antologicamente seleccionados, o seu percurso artístico, iniciativa que os seus coleccionadores certamente apreciarão.
Esta exposição ficará patente ao público até 18 de Maio, todos os dias, das 15h às 24h.
Galeria de Arte do Casino Estoril
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Sombras do passado e o golpe militar
Recentemente a Guiné-Bissau voltou a estar em destaque nos meios de comunicação social e infelizmente uma vez mais não pelos melhores motivos. Mais uma tentativa de golpe de Estado teve lugar no dia de 1 de Abril. Desta vez o sucesso não foi total. Embora a ordem constitucional tenha sido interrompida os intentos últimos da operação não foram atingidos. As alterações deram-se ao nível das Forças Armadas onde um golpe militar deixou bem claro quem tinha mais força junto das tropas e dos seus homens.
Não parecem ter ficado muitas dúvidas de que a subordinação dos militares ao poder político é algo do papel e se encontra muito longe da realidade. Como é possível um Primeiro-Ministro ser afastado das suas funções (mesmo que por apenas algumas horas) e ser ameaçado de morte pelo próprio Vice-Chefe do Estado-Maior, General António Injai? Ou como é possível um Chefe de Estado-Maior General, nomeado apesar de tudo de acordo com a Constituição, ser detido e continuar detido pelos próprios militares? Acresce a isto o facto de não se vislumbrar por parte das autoridades civis qualquer intervenção no sentido de condenar os perpetuadores deste golpe. Lembro ainda que as ameaças do Vice-Chefe do Estado-Maior foram transmitidas pela rádio e estão ainda bem presentes nas conversas diárias entre os guineenses.
Será suficiente um simples pedido de desculpas? Aparentemente sim e insólito também. O líder da revolta militar falou à comunicação social para pedir desculpas ao povo guineense pelas declarações proferidas em que ameaçava matar o chefe do governo se a população continuasse a manifestar-se em gesto de solidariedade para com este, pelas ruas de Bissau… "Peço a Sociedade Civil e à população guineense em geral as minhas desculpas, por ter proferido aquelas palavras de desgraça"… serão necessários muitos comentários? Aqueles que se manifestaram e defenderam o Primeiro-ministro junto de sua casa merecem sem dúvida um destaque posterior.
Entretanto, após mais de 10 dias passados, continuam detidos o Chefe de Estado Maior General, Almirante Zamora Induta e o responsável dos serviços de informação militar, o Coronel Samba Djaló. Os dois encontram-se de momento detidos nas instalações militares de Mansoa. Segundo o presidente do Observatório dos Direitos Humanos, Democracia e Cidadania do país, ambos estão debilitados e a necessitar de tratamento médico. As péssimas condições em que se encontram presos é também referida. A mesma fonte informou ainda os dois ainda não foram oficialmente acusados e que não foram apresentados às autoridades judiciais.
Até ao momento as razões apresentadas pelos autores do golpe militar são as enumeradas no comunicado do Estado Maior (são dois mas o segundo repete parte do primeiro…). A sua leitura é indispensável... Ficamos a saber que o Chefe de Estado Maior frustrou “(frustrado) as expectativas pelas quais havia sido unanimemente nomeado pelas chefias militares”. Qual o papel do Primeiro-ministro e do Presidente da República na nomeação de um Chefe de Estado Maior? Na Guiné-Bissau são os militares que nomeiam o seu chefe? Uma leitura da Constituição e das leis parece urgente. Leitura e aplicação.
O documento enumera ainda vários exemplos de supostas intervenções indevidas das Forças Armadas em assuntos que não eram da sua competência e que foram promovidos pelo Almirante Zamora Induta, para justificar a sua prisão e em última instância o golpe. Bem como acusam o Chefe de Estado Maior de possuir armamento em casa e pretender criar um “exército privado, representando este um perigo, com consequências imprevisíveis"…
Apesar de tudo o que se passou, as autoridades políticas nacionais parece não terem força suficiente para condenar o golpe militar. As declarações proferidas são disso exemplo. As reuniões entre as partes envolvidas sucedem-se mas nada é resolvido. O clima é de insegurança e de instabilidade. Como se pode garantir que os problemas estão ultrapassados?
Por uma vez a Comunidade Internacional pareceu falar em conjunto e condenou fortemente os acontecimentos de dia 1 de Abril. As declarações de alguns membros de governo, Embaixadores ou representantes de Organizações internacionais, foram todas direccionadas no mesmo sentido e exigiram a tomada de medidas perante o sucedido. Foram também claros em criticar a prontidão das autoridades nacionais quando estas afirmaram que a situação já estava superada e de que se tratou apenas de um pequeno problema entre militares. Alguns declararam ser impossível trabalhar com o actual Vice-Chefe de Estado Maior ou com o Contra-Almirante Bubo Na Tchuto, também implicado no golpe militar.
Será que podemos concordar com aqueles que dizem que a situação está normalizada apenas porque os militares voltaram às casernas? Caso os autores do último golpe que teve lugar em Bissau não sofram as consequências do atentado que fizeram à democracia e, pelo contrário, forem confirmados nos cargos que ilegitimamente tomaram, talvez a solução, como aponta o General Loureiro dos Santos e outros, deva passar pelo congelamento à Guiné-Bissau de todos os apoios em curso e prometidos das organizações internacionais.
Como podem as Nações Unidas, a União Europeia e outras Organizações Internacionais, ou as diversas cooperações bilaterais, continuar o seu trabalho conjunto com as autoridades militares? Devem estas passar a trabalhar com quem acaba de dar um golpe e fingir, como outros, que nada de grave se passou?
Muitas perguntas continuam ainda sem resposta. Mas é urgente que a situação seja clarificada. Quem será o próximo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas? Nomeado por quem? Qual o destino do Vice-Chefe de Estado Maior? Mantém o seu lugar? O que sucederá ao Ex-Chefe de Estado da Armada, o contra Almirante Bubo Na Tchuto, que ainda a semana passada foi acusado pelos Estados Unidos de estar implicado no tráfico de droga? Qual a relação do golpe com o futuro da Reforma do Sector de Defesa e Segurança? E muitas outras questões poderiam ainda ser levantadas. No entanto, as soluções não podem ser encontrada no habitual ritmo bissau-guineense. Desta vez os problemas não se podem resolver com o tempo. Há que tomar medidas por mais impopulares que estas sejam. Por vezes sabemos que há crime mas não sabemos quem o cometeu, e noutras ocasiões conhecemos os dois lados.
Não parecem ter ficado muitas dúvidas de que a subordinação dos militares ao poder político é algo do papel e se encontra muito longe da realidade. Como é possível um Primeiro-Ministro ser afastado das suas funções (mesmo que por apenas algumas horas) e ser ameaçado de morte pelo próprio Vice-Chefe do Estado-Maior, General António Injai? Ou como é possível um Chefe de Estado-Maior General, nomeado apesar de tudo de acordo com a Constituição, ser detido e continuar detido pelos próprios militares? Acresce a isto o facto de não se vislumbrar por parte das autoridades civis qualquer intervenção no sentido de condenar os perpetuadores deste golpe. Lembro ainda que as ameaças do Vice-Chefe do Estado-Maior foram transmitidas pela rádio e estão ainda bem presentes nas conversas diárias entre os guineenses.
Será suficiente um simples pedido de desculpas? Aparentemente sim e insólito também. O líder da revolta militar falou à comunicação social para pedir desculpas ao povo guineense pelas declarações proferidas em que ameaçava matar o chefe do governo se a população continuasse a manifestar-se em gesto de solidariedade para com este, pelas ruas de Bissau… "Peço a Sociedade Civil e à população guineense em geral as minhas desculpas, por ter proferido aquelas palavras de desgraça"… serão necessários muitos comentários? Aqueles que se manifestaram e defenderam o Primeiro-ministro junto de sua casa merecem sem dúvida um destaque posterior.
Entretanto, após mais de 10 dias passados, continuam detidos o Chefe de Estado Maior General, Almirante Zamora Induta e o responsável dos serviços de informação militar, o Coronel Samba Djaló. Os dois encontram-se de momento detidos nas instalações militares de Mansoa. Segundo o presidente do Observatório dos Direitos Humanos, Democracia e Cidadania do país, ambos estão debilitados e a necessitar de tratamento médico. As péssimas condições em que se encontram presos é também referida. A mesma fonte informou ainda os dois ainda não foram oficialmente acusados e que não foram apresentados às autoridades judiciais.
Até ao momento as razões apresentadas pelos autores do golpe militar são as enumeradas no comunicado do Estado Maior (são dois mas o segundo repete parte do primeiro…). A sua leitura é indispensável... Ficamos a saber que o Chefe de Estado Maior frustrou “(frustrado) as expectativas pelas quais havia sido unanimemente nomeado pelas chefias militares”. Qual o papel do Primeiro-ministro e do Presidente da República na nomeação de um Chefe de Estado Maior? Na Guiné-Bissau são os militares que nomeiam o seu chefe? Uma leitura da Constituição e das leis parece urgente. Leitura e aplicação.
O documento enumera ainda vários exemplos de supostas intervenções indevidas das Forças Armadas em assuntos que não eram da sua competência e que foram promovidos pelo Almirante Zamora Induta, para justificar a sua prisão e em última instância o golpe. Bem como acusam o Chefe de Estado Maior de possuir armamento em casa e pretender criar um “exército privado, representando este um perigo, com consequências imprevisíveis"…
Apesar de tudo o que se passou, as autoridades políticas nacionais parece não terem força suficiente para condenar o golpe militar. As declarações proferidas são disso exemplo. As reuniões entre as partes envolvidas sucedem-se mas nada é resolvido. O clima é de insegurança e de instabilidade. Como se pode garantir que os problemas estão ultrapassados?
Por uma vez a Comunidade Internacional pareceu falar em conjunto e condenou fortemente os acontecimentos de dia 1 de Abril. As declarações de alguns membros de governo, Embaixadores ou representantes de Organizações internacionais, foram todas direccionadas no mesmo sentido e exigiram a tomada de medidas perante o sucedido. Foram também claros em criticar a prontidão das autoridades nacionais quando estas afirmaram que a situação já estava superada e de que se tratou apenas de um pequeno problema entre militares. Alguns declararam ser impossível trabalhar com o actual Vice-Chefe de Estado Maior ou com o Contra-Almirante Bubo Na Tchuto, também implicado no golpe militar.
Será que podemos concordar com aqueles que dizem que a situação está normalizada apenas porque os militares voltaram às casernas? Caso os autores do último golpe que teve lugar em Bissau não sofram as consequências do atentado que fizeram à democracia e, pelo contrário, forem confirmados nos cargos que ilegitimamente tomaram, talvez a solução, como aponta o General Loureiro dos Santos e outros, deva passar pelo congelamento à Guiné-Bissau de todos os apoios em curso e prometidos das organizações internacionais.
Como podem as Nações Unidas, a União Europeia e outras Organizações Internacionais, ou as diversas cooperações bilaterais, continuar o seu trabalho conjunto com as autoridades militares? Devem estas passar a trabalhar com quem acaba de dar um golpe e fingir, como outros, que nada de grave se passou?
Muitas perguntas continuam ainda sem resposta. Mas é urgente que a situação seja clarificada. Quem será o próximo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas? Nomeado por quem? Qual o destino do Vice-Chefe de Estado Maior? Mantém o seu lugar? O que sucederá ao Ex-Chefe de Estado da Armada, o contra Almirante Bubo Na Tchuto, que ainda a semana passada foi acusado pelos Estados Unidos de estar implicado no tráfico de droga? Qual a relação do golpe com o futuro da Reforma do Sector de Defesa e Segurança? E muitas outras questões poderiam ainda ser levantadas. No entanto, as soluções não podem ser encontrada no habitual ritmo bissau-guineense. Desta vez os problemas não se podem resolver com o tempo. Há que tomar medidas por mais impopulares que estas sejam. Por vezes sabemos que há crime mas não sabemos quem o cometeu, e noutras ocasiões conhecemos os dois lados.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Festa da bola quadrada
O presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau, José Medina Lobato, disse à agência Lusa que vai ser feito um “esforço grande” para que a participação na Taça das Nações Africanas (CAN) de 2012 seja uma “realidade”.
No sorteio realizado recentemente para a qualificação para a Taça das Nações Africanas de futebol de 2012, a Guiné-Bissau ficou no Grupo 10 juntamente com Angola, Quénia e o Uganda. O primeiro jogo da Guiné-Bissau vai ser com Angola entre Março e Abril.
“Não é um grupo fácil e depois são países tão distantes de nós”, afirmou José Medina Lobato, sublinhando que é preciso criar condições para a selecção jogar. “Temos de encarar agora a coisa com a maior naturalidade e criarmos as condições técnicas, financeiras e desportivas para entrarmos nesta arena internacional, nesta festa do futebol africano”.
A selecção de futebol guineense encontra-se na posição 195.ª entre as 203 selecções que figuram no ranking da FIFA.
Segundo o presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau tudo é necessário. “Em primeiro lugar tem de haver meios financeiros, depois meios materiais, equipamentos, condições para estágio, jogos de treino e para deslocação da equipa quando for para ir jogar aos países que fazem parte do nosso grupo”.
“O governo está disponível para ajudar. Foi o governo que deu luz verde e pagou a inscrição na CAN2012, mas também sabemos as limitações que existem”.
http://www.ojogo.pt/Directo/NoticiaHora_futcan2012guinebissau_220210_231480.asp
No sorteio realizado recentemente para a qualificação para a Taça das Nações Africanas de futebol de 2012, a Guiné-Bissau ficou no Grupo 10 juntamente com Angola, Quénia e o Uganda. O primeiro jogo da Guiné-Bissau vai ser com Angola entre Março e Abril.
“Não é um grupo fácil e depois são países tão distantes de nós”, afirmou José Medina Lobato, sublinhando que é preciso criar condições para a selecção jogar. “Temos de encarar agora a coisa com a maior naturalidade e criarmos as condições técnicas, financeiras e desportivas para entrarmos nesta arena internacional, nesta festa do futebol africano”.
A selecção de futebol guineense encontra-se na posição 195.ª entre as 203 selecções que figuram no ranking da FIFA.
Segundo o presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau tudo é necessário. “Em primeiro lugar tem de haver meios financeiros, depois meios materiais, equipamentos, condições para estágio, jogos de treino e para deslocação da equipa quando for para ir jogar aos países que fazem parte do nosso grupo”.
“O governo está disponível para ajudar. Foi o governo que deu luz verde e pagou a inscrição na CAN2012, mas também sabemos as limitações que existem”.
http://www.ojogo.pt/Directo/NoticiaHora_futcan2012guinebissau_220210_231480.asp
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