segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Matas de Cantanhez e o Dari

São algumas horas para lá chegar e passando o Quebo são pelo menos mais duas horas de muito má estrada. Depois encontramos uma floresta rica, virgem e cheia de tradições e costumes.

O Parque Nacional de Cantanhez fica no sul da Guiné-Bissau, “faz parte da região administrativa de Tombali e está marginada a este e oeste pelos rios Cumbidjan e Cacine. É conhecida pela sua riqueza florista e os seus maciços florestais, últimos elementos residuais da floresta sub-humida desta parte da Africa do Oeste.”

As visitas da CC e da JRP eram motivos mais do que suficientes para fazer uma viagem a Jemberem, aproveitar a experiência de quem sabe e passar mais um óptimo fim de semana entre histórias de encontros entre mulheres e chimpanzés. Afinal não é todos os dias que se vai para o mato com primatólogas e antropólogas procurar o dari.

Vimos alguns trilhos, vestígios, ninhos, ouvimos sempre muitos, alguns mesmo muito perto e depois das conversas com os habitantes das tabancas e de algumas horas de espera conseguimos o momento raro: ver um chimpanzé. Por momentos tudo parece parar e ficamos a olhar para ele e ele para nós. No final vale a pena passar pela lama, ter os pés dentro de água e ficar bem sujo ao melhor estilo de anúncio skip.

Desde há alguns anos que uma equipa de investigadores portugueses se dedica a estudar estes chimpanzés com o objectivo entre outros de ajudar a salvar uma espécie ameaçada.






No regresso ainda houve tempo para visitar em Guiledge o recém inaugurado museu. Com o apoio de algumas instituições guineenses e nacionais foi possível a transformação do quartel da tropa colonial em museu de Guiledje de forma a "perpetuar a história da luta pela independência da Guiné-Bissau assim como a presença dos militares portugueses que construíram o quartel e nele viveram cerca de 10 anos.

O núcleo museológico permite ainda que de forma limitada o acesso a documentos fotográficos, mapas, textos escritos, vídeos e cartas pessoais dos protagonistas guineenses, cabo-verdianos, cubanos e portugueses, que testemunham a sua vida durante a guerra colonial. As armas, a logística e os aspectos ligados à religião católica e muçulmana dos protagonistas da guerra colonial em redor de Guiledje são ainda outros dos acervos que podem ser consultados.

O quartel de Guiledje foi construído pela tropa colonial portuguesa em 1964, na actual região de Tombali, a uma dezena de quilómetros da fronteira entre a Guiné-Bissau e a Guiné-Conakry. Devido à sua importância e posição estratégica, a queda a favor dos independentistas do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) alterou o curso da guerra colonial a favor do movimento de libertação da Guiné-Bissau."



Mais informação em:

http://www.adbissau.org/adbissau/agenda/2009.12.09.2.pdf

http://www.ibap-gbissau.org/Coneccoes/Cantanhez.htm

http://www.adbissau.org/adbissau/noticias/2009.12.09.2.pdf

O Parque Nacional de Cantanhez foi criado a 19 de Março de 2008, cobrindo 1 075 670 hectares. Desde há mais de 17 anos que um trabalho de sensibilização da população (cerca de 40.000 habitantes) foi iniciado pela UICN com o apoio de ONG locais, nomeadamente a ONG Acção para o Desenvolvimento (AD). Após a sua criação, o Parque é gerido pelo Instituto para a Biodiversidade e Áreas Protegidas (IBAP) em ligação estreita com as comunidades locais.”

2 comentários:

Joana Cruz disse...

Adorei!
Agora acredito.
Beijo

Adriana disse...

Entre a descrição dos momentos, o humor do skip e a componente didáctica, este texto está uma pérola! Só não percebi logo o dari, mas depois explicas!... :)