terça-feira, 13 de maio de 2008

Ausência prolongada

Os telefones fixos na Guiné-Bissau deixaram de funcionar. Há alguns dias que se deixou de fazer chamadas e embora o fax já não fosse meio muito utilizado por aqui, agora, passou a ser missão impossível. A notícia seguinte publicada hoje, dia 12 de Maio, na Angola Press talvez ajude a perceber o actual contexto.

“O governo guineense decidiu assumir a gestão da Guiné-Telecom e da Guinetel por considerar que a Portugal Telecom (PT) abandonou a administração das duas empresas luso-guineenses, soube-se hoje de fonte oficial. Segundo um comunicado divulgado hoje pelo executivo da Guiné-Bissau, "com a ausência prolongada dos representantes do grupo PT e a sua recusa em convocar os órgãos sociais das empresas Guiné-Telecom e Guinetel, confirma-se o estatuto de abandono". Por isso, o governo teve a responsabilidade e o direito de assumir transitoriamente o controlo de gestão das duas empresas", sublinha a nota do governo liderado por Martinho N`Dafa Cabi, após uma reunião de conselho de ministros realizada sexta-feira. No comunicado, o governo guineense afirma ainda "aceitar e lamentar a denúncia apresentada pelo grupo PT dos contratos de gestão das duas empresas e, por conseguinte, considerar rescindidos os respectivos contratos". O documento sublinha igualmente que o governo indeferiu o pedido apresentado pela PT para vender as acções que detém na Guinetel a um comprador a escolher pela empresa portuguesa. Assim sendo, mandatou os ministros dos Transportes e Comunicações e da Economia para procurarem financiadores externos para o desenvolvimento das redes de telecomunicações das duas empresas.
As empresas Guiné-Telecom (rede fixa e serviço de Internet) e Guinetel (rede móvel) são ambas participadas maioritariamente pelo governo guineense e atravessam graves problemas técnicos e financeiros.”

http://www.angolapress-angop.ao/noticia.asp?ID=617089

3 comentários:

Ana disse...

Eu não podia deixar passar esta em branco! porque as comunicações na Guiné são um teste à nossa paciência e que, quase sempre, nos vencem pelo cansaço.
Existem duas operadoras que não permitem comunicar entre si, e por isso imaginem por exemplo, a TMN a não falar com a Vodafone...aqui é assim que funciona, o que nos obriga a ter dois telemóveis com números diferentes.Prático, portanto. Enfim, depois quando conseguimos chegar à fala, é rezar para que a chamada não caia, o que acontece amiúde. Quanto aos telefones fixos, nem vale a pena ir por aí, tal é o desgaste.Mas depois quando queremos consultar o nosso saldo, há sempre uma voz simpática que nos diz" O seu saldo é de..., adeus". Vale a pena, a sério.

Miguel disse...

Já percebi que o blogue vai servir também para tu deitares cá para fora todas as tuas angústias!...

Nuno Caldeira da Silva disse...

Conheco esse dossier de ponta a ponta de quando era Presidente da PT Internacional. Em 2002 advoguei numa reeuniao que a PT deveria sair da Guine e batendo com a porta de modo a que se ouvisse em toda a Africa mas imperou o "politicamente correcto". Agora acabou. O diferendo está desde o inicio no nao pagamento por parte do G G-B em nao assumir as suas responsabilidades contractuais. Por variadas vezes e diferentes razoes foi violada a propria lei da concessao da licenca sobre a qual acentava a operacao da Guine Telecom. E mais nao digo, porque sei.